Vice-presidente do SindusCon-SP considera exageradas as críticas à lentidão da aprovação de grandes empreendimentos
Responsabilidade compartilhada
O vice-presidente de meio ambiente do SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil) Francisco Vasconcellos eximiu os órgãos públicos de parte da culpa pela demora no licenciamento ambiental e contestou algumas críticas - segundo ele, exageradas - do setor produtivo. "Se é necessário um EIA-Rima (Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental) é porque se trata de um empreendimento de grande porte. Se é de grande porte, o tipo de estudo ambiental que deve ser feito é complexo e leva um ano mesmo. Não adianta brigar e achar que vai fazer tudo em três meses", disse.
Vasconcelos reconhece falhas no sistema de aprovação, mas acredita que a precisão dos estudos ambientais e uma compreensão mais ampla dos processos por parte do construtor são fundamentais para solucionar o problema. "O licenciamento ambiental é uma questão 90% técnica, mas carrega também um conteúdo político, pois envolve a participação da comunidade por meio de audiências públicas. Um trabalho técnico bem-feito é o que dá sustentação a uma boa discussão política. As duas partes precisam entender que uma audiência pública não é uma barganha, é uma discussão dos prós e contras em que deve prevalecer o bem comum."
Críticas ao LEED
Ao comentar as soluções para incentivar a sustentabilidade na construção civil, o coordenador do comitê de materiais do CBCS (Conselho Brasileiro de Construção Sustentável) Vanderley M. John atacou as certificações do U.S. Green Building Council.
"O LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) é uma bobajada! É um conceito que vende a ideia de que está tudo resolvido, mas não está." Ele critica a eficiência dos edifícios certificados que, às vezes, são reconhecidos por implantarem uma solução "não tão ruim, o que não significa que seja a melhor". Defensor da pesquisa em inovação tecnológica, ele avalia: "dá para melhorar muito se aplicarmos imediatamente o que já sabemos, mas a tecnologia para resolver o problema ainda está para ser desenvolvida".
Crédito made in Brazil
Fernando Magesty, gerente nacional de gestão da carteira habitacional da Caixa Econômica Federal, afirmou em evento do setor que os mecanismos de concessão de crédito no Brasil - em especial os utilizados pela Caixa - têm recebido aplausos no exterior. Segundo ele, o Brasil é o terceiro País mais procurado por investidores e o primeiro em volume de negócios, excluindo as empresas americanas. "Já fiz mais de 30 reuniões com investidores internacionais e tenho a agenda programada até dezembro para falar sobre mecanismos de crédito. Eles querem saber da visão da Caixa sobre os indicadores e as empresas que operam com a Caixa. O Brasil se tornou referência internacional para aplicação de crédito imobiliário."
BATE-ESTACA
Madeira a preço "imoral"
Representantes do setor, em conversa informal durante evento, avaliaram como "imoral" o alto custo da madeira nativa extraída de acordo com os parâmetros do Conselho Nacional de Meio Ambiente e do Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis). "O preço da madeira nativa legal é um crime. Se a madeira nativa for toda certificada, as aplicações em obras não vão existir mais", disse um dos participantes.
Jogos: opiniões divididas
O entusiasmo com o volume de obras da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016 tem dividido opiniões quanto às formas mais eficazes de contratação. Enquanto analistas propõem a centralização da organização das obras em consultorias - até mesmo internacionais -, construtores defendem a adoção de tratamentos especiais e alternativos à Lei de Licitações, com soluções para contratações diretas. Grupos de arquitetos têm defendido concursos abertos para execução de projetos.