Anúncio do Rio como sede olímpica dispara especulação imobiliária na Barra da Tijuca
Especulação olímpica...
A escolha do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016 provocou uma disparada nos preços dos imóveis na Barra da Tijuca, bairro da zona Sul carioca que deve concentrar metade das instalações dos complexos esportivos. A especulação foi tamanha que, no início de novembro, poucos dias após o anúncio do Comitê Internacional Olímpico, as tabelas de preços foram reajustadas, registrando aumentos de 10% a 20% no valor de aquisição dos imóveis.
...e otimismo apressado Apesar da euforia, projetos importantes que norteiam a valorização da Barra da Tijuca ainda estão indefinidos. A chegada da linha 4 do metrô à região, por exemplo, não está prevista no caderno de encargos apresentado pelo COB (Comitê Olímpico Brasileiro) ao COI (Comitê Olímpico Internacional). Além disso, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, afirmou que pretende levar para a zona do Porto algumas instalações e parte do Centro de Mídia, antes previsto para ser erguido na Barra da Tijuca. A alteração no projeto apresentado ao COI sofre resistência da organização, mas, nas palavras do prefeito, a Olimpíada terá de se adaptar às necessidades da cidade, e não o contrário.
O que acontece com os parques tecnológicos? A construção de parques tecnológicos - complexos que abrigam universidades, institutos de pesquisas e incubadoras de empresas, entre outros -, embora seja, aparentemente, um negócio atrativo a empresas de serviços de engenharia e uma grande vitrine para o governo do Estado, tem sido tratada como "assunto sigiloso". Procurados pela redação de Construção Mercado, fontes da secretaria de desenvolvimento do Estado de São Paulo, de entidades representativas do setor da construção e de construtoras diretamente envolvidas nas obras dos parques disseram "que não poderiam falar sobre o assunto". Nos bastidores, fala-se que um provável corte no orçamento, por parte do governo do Estado de São Paulo, teria provocado uma revisão dos planos de construção desses complexos. A informação, porém, não é confirmada pelo órgão.
BATE-ESTACA
Outorga no Rio
A Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro aprovou, em outubro, um projeto que libera construções de classe média em uma área alagadiça entre o Recreio dos Bandeirantes e Vargem Grande. A ideia é aplicar outorga onerosa para que o PEU (Projeto de Estruturação Urbana) financie obras de infraestrutura para a Copa de 2014 e Jogos Olímpicos de 2016. Assim, quem quiser construir acima dos parâmetros estipulados poderá pagar uma taxa extra. Segundo fontes ouvidas por Construção Mercado, os recursos da região alagadiça serão usados em obras como a construção do Corredor T-5 de ônibus entre a Barra e a Penha e na construção do Túnel da Grota Funda.
Batimat e a crise
A 27a edição da Batimat (Salão Internacional da Construção), realizada em Paris, na França, sentiu os impactos da crise mundo afora. Embora os números de expositores (2,4 mil) e o estimado de visitantes (400 mil) tenham sido expressivos, os corredores mais largos do que o normal, espaços vagos e tapumes isolando áreas vazias em diversos pavilhões revelam um público menor do que o observado em 2007. Naquele ano, o evento, embalado pela economia global em crescimento, registrou 2.779 expositores e 447.338 visitantes vindos de 141 países.
Fim da alta
Para Vicente Mário Visco Mattos, presidente do SindusCon-BA (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado da Bahia), os preços dos terrenos localizados na orla de Salvador, mesmo depois do aumento do gabarito de construção previsto pelo plano diretor (PDDU/08), não têm como aumentar. "Se houver mais valorização, inviabiliza o negócio", disse. Segundo ele, o valor de aquisição das glebas foi fortemente aquecido com a chegada das empresas de capital aberto que, em 2007 e meados de 2008, associaram-se com incorporadoras locais. "Houve uma grande corrida para compra de áreas e a inflação no valor do terreno já atingiu seu limite."