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Qualidade tem preço
Não existe mágica no segmento de telhas tipo sanduíche: produtos de qualidade têm custo inicial mais alto, mas investimento vale a pena no longo prazo

Por Gisele C. Cichinelli

Marcelo Scandaroli
O mercado de telhas metálicas termoacústicas (ou tipo sanduíche) ainda engatinha no País quando comparado a outros países, como os europeus. Aqui, o segmento vive duas realidades distintas. Nos segmentos comercial e industrial, vem ganhando mercado ano a ano. No residencial, ainda tem pouca penetração. Para os fabricantes que participaram do debate desta reportagem, em ambos elas têm campo para crescer. O que os preocupa é a concorrência desleal de fabricantes com preços muito inferiores por conta de um processo de fabricação deficiente.

Nesse segmento, não há mágica: o custo do sistema tem relação direta com a qualidade do insumo usado (aço, pintura e isolante). Isso porque são três as empresas nacionais fornecedoras das chapas de aço galvanizado para a produção das telhas, todas com preços similares. Os sistemas de pintura e isolantes, se de qualidade, também não têm grande variação de preços. Ou seja, se a telha tiver preços muito inferiores da média do mercado, desconfie.

A economia na compra de produtos de qualidade inferior sai caro depois. Um problema que pode ocorrer é a rápida degradação da camada protetora (no caso de haver material jateado sobre o telhado) pela ação da radiação solar, acarretando a perda da capacidade de isolação térmica, tanto por conta da absorção de água como pela sua própria degradação. "Nesse caso, deve-se observar a qualidade do material utilizado na camada protetora quanto à sua resistência, principalmente contra a ação da radiação ultravioleta", recomenda Maria Akutsu, física pesquisadora responsável pelo Laboratório de Conforto Ambiental e Sustentabilidade dos Edifícios, do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo).

Características

As telhas termoacústicas são compostas por duas chapas de aço ou alumínio e um material isolante (poliuretano, poliestireno expandido ou lãs de rocha ou de vidro), cuja função é proporcionar conforto térmico e acústico à edificação. O isolamento térmico varia de acordo com os materiais utilizados. Para comparar os desempenhos, os coeficientes globais de transmissão de calor devem ser analisados. Quanto menor o coeficiente, melhor o isolamento.

O sistema apresenta como característica o peso reduzido, agilidade e facilidade de montagem, além de dispensar a execução de forros ou de lajes adicionais.

Para garantir a qualidade, além de ficar atento aos preços praticados, é imprescindível contar com um bom projeto e critérios técnicos para a compra. Certificar-se da idoneidade do fornecedor também é fundamental. "Algumas variações de espessura são imperceptíveis visualmente. O comprador pode adquirir uma chapa de aço de 0,43 mm achando que está comprando uma de 0,50 mm", alerta o projetista estrutural Carlos Freire.

A escolha do material isolante merece atenção especial e sua definição deverá ser feita a partir do projeto. "Entre as opções existentes no mercado, a mais cara e mais complexa de ser executada é a lã de rocha", comenta Freire.

Entre as patologias recorrentes, as infiltrações de água pelas juntas e pelos parafusos usados para a fixação são as mais comuns. Para evitá-las, recomenda-se que sejam seguidas à risca todas as boas práticas de instalação desse tipo de telhado. "Alguns fornecedores oferecem o diagrama de montagem da telha, indicando como deve ser feita a montagem peça por peça, inclusive numerando as telhas", lembra o projetista estrutural Carlos Freire.

Residencial de baixa renda

No nicho residencial, sobretudo no de habitações populares - tradicionalmente dominado pelas telhas cerâmicas -, a utilização das telhas sanduíche ainda sofre restrições. O custo do sistema é apontado por construtoras como impedimento. No entanto, para alguns fabricantes, com projetos bem elaborados, tomando partido das vantagens do material como o peso reduzido e montagem mais rápida, o sistema pode ser viável. Ainda mais nesse momento, em que a construção em série tem sido estimulada pelo programa habitacional Minha Casa, Minha Vida. De acordo com a Abcem (Associação Brasileira de Construção Metálica), efetivamente, as iniciativas das empresas nesse sentido têm sido tímidas. Mas, ao menos, já começaram. "Estamos visando esse mercado. Inclusive, já temos aprovação da Caixa Econômica Federal para entrar nesses projetos", completa Lasaro Pedro, gerente de vendas da Isoeste.

Outra empresa que também está em fase de negociação com algumas grandes construtoras e incorporadoras é a Dânica, que pretende atender não apenas às obras do programa habitacional do governo, como também a outros nichos residenciais. "Também estamos negociando com grandes empresas construtoras para fornecer o sistema para condomínios horizontais de médio e alto padrão", conta Rinaldo Fonseca, gerente comercial da divisão de construção civil da empresa.

Para Marcelo de Cássia Bancalero Fernandes, gerente de desenvolvimento de novos negócios da Brasilit, o maior empecilho para disseminação do produto nesse setor é a excessiva preocupação em computar o custo individual ante os benefícios globais do sistema. "Individualmente, o custo pode ser um pouco superior. Mas o ganho com economia de energia, principalmente nas regiões quentes, faz valer o investimento, tornando seu uso em construções destinadas à baixa renda viável", observa o gerente.

Tal opinião não é compartilhada por Francisco Abreu, coordenador técnico da divisão Wall da Eternit. "A oscilação do preço do aço acaba por encarecer o produto. Seu custo é quase o dobro das telhas de cerâmica e de fibrocimento, inviabilizando seu uso nesse segmento", acredita. Segundo o coordenador, para que a solução seja usada em obras residenciais, é necessário que haja um trabalho intenso de especificação junto às construtoras. "A composição de uma telha sanduíche, por exemplo, permite um conforto térmico bastante interessante, pois não há vazamentos de chuvas e nem permite a passagem do calor, diferente das demais telhas do mercado que necessitam a execução de forro", justifica.

Checklist

Compra
Não coloque o preço como o critério de seleção das empresas. Nesse segmento, o custo do sistema tem relação direta com a qualidade do insumo usado (aço, pintura e isolante).
Procure empresas idôneas, que ofereçam assistência e auxílio na hora da compra e da montagem.
Conte sempre com o auxílio de um profissional capacitado.
A escolha do material isolante depende de critérios que devem ser avaliados durante a fase de projeto.
Além da relação entre custo e benefício, alguns itens devem ser levados em consideração tais como qualidade, durabilidade, manutenção e resistência a incêndio.

Recebimento, transporte e armazenagem
As telhas duplas devem ser transportadas paletizadas ou em lotes protegidos contra impactos.
É imprescindível verificar se as telhas entregues correspondem às especificações solicitadas e se houve algum dano ao produto durante o transporte.
A estocagem no canteiro deve ser evitada sob pena de as telhas amassarem ou mancharem. O ideal é programar previamente com o fornecedor para que a entrega dos materiais seja feita de acordo com o cronograma físico da obra.

Instalação
A aplicação das telhas duplas deve ser realizada após a execução da estrutura do edifício e da subestrutura da cobertura.
Atentar para o recobrimento das telhas para evitar goteiras e a inclinação mínima adequada em função da extensão do telhado.

Normas técnicas
As telhas metálicas termoacústicas não estão regulamentadas com normas técnicas que orientem a fabricação, transporte e a instalação. Alguns materiais que compõem a solução, no entanto, são normatizados, como o poliuretano (NBR 15366). Já as telhas de aço revestido nos modelos onduladas e trapezoidais, contam com regras próprias: NBR 14513 e NBR 14514, respectivamente. Cada isolante também possui uma legislação específica para a sua utilização.

 

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