Após o forte aperto na disponibilidade do crédito à produção no Brasil durante setembro de 2008 a julho de 2009, as linhas de financiamento às empresas de construção voltaram aos patamares pré-crise, com taxas menores e prazos mais longos. Porém, a expectativa de incremento da taxa Selic, que deverá passar de 8,75% (em dezembro de 2009) para aproximadamente 10% no final do primeiro semestre deste ano, tende a elevar as taxas de juros cobradas pelos bancos, encarecendo assim os empréstimos. "O aumento da Selic, se confirmado, acarretará em um aumento de aproximadamente 20% no custo do crédito, ocasionando uma redução de 5% a 10% nos lucros das construtoras", adverte Luiz Antonio Fernandes da Silva, professor de administração das Faculdades Integradas Rio Branco. Segundo ele, "empresas mais capitalizadas são menos vulneráveis a oscilações no custo do crédito, já as que dependem de linhas de financiamento sofrem maior impacto".
Além do custo, a disponibilidade de recursos também poderá sofrer algum abalo em 2010, analisam os consultores. O motivo é que a obrigatoriedade da aplicação de 65% dos recursos da poupança tende a se acomodar nas grandes instituições financeiras em 2010, ensejando uma diminuição da oferta de crédito à produção e maior rigor, por parte dos bancos, na concessão de financiamento. Nessas condições, os custos do capital dos empreendimentos podem subir, pressionando os custos dos produtos residenciais, que, por sua vez, devem se manter estáveis. Em outras palavras, se confirmado o encarecimento do crédito, a margem de lucro dos empreendimentos, para aquelas empresas que não planejarem o devido casamento entre custo e valor de venda, pode ser comprometida.
Para o diretor financeiro da Stan Desenvolvimento Imobiliário, Alexandre Carvalho, existem algumas maneiras das construtoras minimizarem os riscos e reduzirem o custo do crédito. "A transação estreita com os bancos sempre foi um dos principais recursos utilizados pelo setor. No sentido de prazos e taxas, o cliente deve negociar exaustivamente com as instituições financeiras e criar um relacionamento com elas. Propor negócios com o banco", explica. "Hoje, o crédito está basicamente nas mãos de quatro bancos, ou seja, a concentração é grande, e as construtoras e incorporadoras devem negociar com o maior número de instituições possíveis, para obter mais opções e poder avaliar a que melhor se adequar a sua situação." Por outro lado, o executivo alerta que os projetos devem ser bem estruturados para que o risco de uma negativa na concessão ao crédito seja menor. "Os empreendedores devem trabalhar muito bem em seus projetos, pois o banco precisa se sentir seguro para liberar recursos para a execução. Hoje, o banco olha a capacidade de pagamento da empresa, o empreendimento, a viabilidade do empreendimento e o desempenho de vendas, antes de autorizar o crédito", avalia.
De acordo com o professor Fernandes da Silva, o atual momento, de início de ano, é o melhor período para a obtenção de crédito. "As taxas estão razoavelmente baixas, os prazos longos e o setor bancário sente segurança na área imobiliária. Mas não pode haver uma acomodação. Para que o setor não seja prejudicado, ele deve continuar trabalhando com seriedade, combinar prazo e cumpri-los. Diminuir a falta de capacidade de finalizar em tempo hábil e traçar um bom programa de vendas", finaliza.