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| Perspectiva artística do estaleiro planejado pela OSX, em Santa Catarina: previsão de US$ 1 bilhão de investimento |
O ressurgimento e crescimento da indústria naval no Brasil, que viveu décadas de crise, têm aquecido a construção de estaleiros. As demandas por embarcações da Transpetro e da petroleira venezuelana PDVSA, por exemplo, empolgam o mercado. O Sinaval (Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore) aposta na construção de seis a 11 novos estaleiros de grande porte em quatro anos. Desses, oito devem entrar em operação entre 2010 e 2011. De acordo com Franco Papini, vice-presidente do sindicato, cada projeto deve ter investimento de US$ 500 a US$ 700 milhões. E lembra: "Nesse tipo de empreendimento, cerca de 50% [do investimento] fica com a construção civil".
Entre os principais investimentos na construção de estaleiros previstos para o setor estão: o do grupo do empresário Eike Batista, o OSX, em Santa Catarina; um consórcio formado pelas construtoras OAS, Odebrecht e UTC, na Bahia; o grupo EISA, em Alagoas; o Jurong, no Espírito Santo; um da PMJR (composta por ex-sócios do Estaleiro Aker Promar e sócios do Estaleiro Atlântico Sul) com o Promar, no Ceará; Wilson, Sons no Rio Grande do Sul; e a parceria entre a Galvão Engenharia e Alusa, em Pernambuco. Também há expectativa de expansão dos seguintes estaleiros: Aliança, Eisa, Mauá, Mac Laren Oil, todos no Rio de Janeiro, e o Wilson, Sons, no Guarujá, em São Paulo.
Embora muitos projetos já estejam prontos e já exista uma intenção de área definida, Papini ressalta que grande parte do financiamento para as obras ainda não foi aprovado. "Existem cerca de 11 projetos de pedidos de financiamentos apresentados ao Fundo da Marinha Mercante. Esses projetos representam investimentos totais de cerca de R$ 4 a R$ 5 bilhões", afirma Papini, que ressalta que somente após a reunião os projetos começariam a sair do papel.
Com o financiamento aprovado, o segundo passo seria a concessão de licença ambiental, que o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais) costuma aprovar em seis meses. Só então começariam as obras, que nesse caso costumam durar cerca de dois anos.
Serviços de construção
A implantação de um estaleiro é complexa. Exige amplas áreas de fronte para o mar, com águas protegidas e com capacidade para receber navios com calado mínimo entre 7 m e 10 m de profundidade. Para cada estaleiro cabe à construção civil, em geral, a terraplanagem, acessos rodoviários, construção do cais de acabamento, construção de sede administrativa, centro de informática, sala de projetos, galpões industriais com grandes vãos de área livre, colunas reforçadas para instalação de pontes rolantes, implantação de guindastes e pórticos de grande porte, construção de carreiras ou diques secos para navios, entre outros serviços.
Segundo Jorge Bruno, coordenador da Organização das Indústrias do Petróleo, pequenas e médias construtoras têm oportunidades de participar das obras como subempreiteiras. "Cada empresa tem uma especialidade e como se trata de uma obra grande e complexa, geralmente cada empresa é contratada para um determinado trabalho: estudo de solo, terraplanagem, estaqueamento de fundações, construção de diques seco, almoxarifado, estradas para transporte de carga pesada", diz Bruno. Ele lembra, ainda, que há oportunidades de obras residenciais no entorno dos estaleiros, para abrigar os funcionários.
Segundo Roberto Kauffmann, presidente do Sinduscon-RJ (Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Rio de Janeiro), a geração de empregos na construção dos estaleiros é semelhante ao de construções prediais e industriais. "Ou seja, são gerados 220 empregos diretos e 200 indiretos, para cada R$ 10 milhões aplicados", diz.
Conheça as principais obras previstas de estaleiros
OSX - O Grupo brasileiro EBX investirá US$ 1 bilhão na unidade de Biguaçu, a 15 km de Florianópolis, em Santa Catarina. O empreendimento será desenvolvido pela recém-criada OSX, nova empresa do grupo, e terá 1,6 milhão de metros quadrados. A expectativa da OSX é que a licença ambiental seja liberada em meados deste ano. Com isso, as obras devem começar apenas no segundo semestre de 2010.
Wilson, Sons - No Rio Grande do Sul, o investimento previsto pela Wilson, Sons é de US$ 50 milhões. A planta será instalada em uma área de 200 mil m2.
Eisa - A empresa vai aportar R$ 1,5 bilhão na construção do estaleiro, no município de Coruripe, em Alagoas. A previsão é que as obras iniciem neste semestre.
Galvão Engenharia e Alusa - O complexo de Suape, em Pernambuco, que já abriga o Estaleiro Atlântico Sul, deve conquistar também o projeto da Galvão Engenharia e Alusa. O estaleiro da Ilha de Tatuoca tem investimento de US$ 495 milhões e a previsão é que as obras comecem em junho deste ano. A área de 750 mil m2 foi doada pelo governo de Pernambuco.
Jurong - O plano da empresa é um estaleiro em Aracruz, no Espírito Santo, com investimento de US$ 500 milhões em uma área de cerca de 1 milhão de metros quadrados. A Jurong já tem titularidade da área onde o estaleiro será construído, mas também espera licença ambiental, prevista para meados de 2010. A expectativa é que as obras iniciem logo após.
PMJR - O plano da empresa é construir, mas apenas se vencer concorrência da Transpetro, o Estaleiro Promar Ceará, no porto de Mucuripe, em Fortaleza. O estaleiro de R$ 200 milhões será construído em área de 400 mil m2.