É difícil encontrar uma construtora que não queira trabalhar para a Petrobras. Com previsão global de investimentos de US$ 174 bilhões para o período 2009-2013, uma demanda por serviços distribuída pelas cinco regiões e, na maior parte das vezes, projetos tecnicamente desafiadores, a empresa se tornou uma das maiores contratantes de obras do País, ocupando um espaço que em décadas passadas foi do setor público. Como se não bastasse, em função de seu papel estratégico para a economia brasileira, os fornecedores da Petrobras dispõem de risco de inadimplência próximo de zero e podem até mesmo contar com linhas de crédito mais competitivas para financiar melhorias de infraestrutura, de pessoal e tecnológica.
Mas o processo para que uma empresa possa obter o título de fornecedor homologado pela Petrobras não é fácil. As dificuldades são ainda maiores para o pequeno fornecedor, que muitas vezes não consegue cumprir os requisitos mínimos para concluir a primeira etapa do processo de seleção. Há casos em que nem as certificações ISO garantem o atendimento às exigências.
Paulo Roberto Carvalho de Alencar, gerente setorial de qualificação de fornecedores da Petrobras, explica que por força do Decreto 2745, que disciplina o procedimento licitatório especial da estatal, há um cadastro de fornecedores permanentemente aberto para novos integrantes. "Por esse mecanismo, as empresas são avaliadas em cinco dimensões: técnica, legal, econômica, gerencial e SMS (saúde, meio ambiente e segurança). Aquelas que atingem o nível mínimo requerido para cada tipo de serviço recebem o CRCC (Certificado de Registro e Classificação Cadastral), que é condição para poder participar de licitações", explica.
Obter o desejado CRCC, que é válido por um ano, é tarefa para poucos. Atualmente, somente 4.500 empresas dispõem desse documento - número restrito se comparado ao tamanho da demanda por fornecedores da Petrobras. Para complicar, o fato de uma empresa estar cadastrada como prestadora de determinado serviço não lhe assegura o direito de participar de licitações que a Petrobras venha a realizar. Auditorias presenciais são realizadas periodicamente e o desempenho técnico e comercial ao longo do relacionamento com a estatal é constantemente analisado. Além disso, não há uma central responsável por todas as contratações. Uma vez obtido o CRCC, a empresa deverá despender esforço comercial de identificação do "usuário final" dentro da estatal para, só então, ser selecionado para receber uma carta-convite e participar de um processo de licitação.
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| O processo para que uma empresa obtenha o título de fornecedor homologado pela Petrobras não é fácil, principalmente para pequenas empresas |
Adaptações de quem fornece
"Fazer parte do seleto grupo de empresas habilitadas a disputar as concorrências é um dos maiores desafios", afirma Bernard Isnard, diretor da Craft Engenharia, empresa fluminense que recentemente conquistou dois contratos com a Petrobras para execução de serviços de terraplanagem e pavimentação. Ele conta que para atender plenamente às exigências, a Craft precisou reorganizar sua estrutura interna a ponto de contratar um profissional especialmente dedicado ao atendimento desse cliente.
A empresa também teve que aumentar a estrutura administrativa de suas obras, adicionando profissionais de fiscalização. "Mas o esforço valerá a pena, pois a Petrobras é um cliente importante e estamos de olho nas oportunidades que podem surgir nos próximos dez anos", comenta o executivo.
A expectativa é a mesma da Tecmetal e da GDK, empresas que também tiveram que se ajustar às políticas da Petrobras, principalmente nos quesitos saúde, segurança e meio ambiente. "A Petrobras prioriza a segurança do trabalho e a preservação do meio ambiente em detrimento da produtividade e, diante disso, um desafio que tivemos que superar foi o cumprimento de prazos de execução de serviços e a enorme quantidade de documentos diários a serem emitidos para liberação dos mesmos", conta Celso Thá, diretor da Tecmetal, empresa paranaense que realiza obras de estruturas metálicas para a Petrobras há cinco anos.
No caso da GDK Engenharia, o esforço para acompanhar os requisitos contratuais da estatal brasileira a levou a investir em equipamentos e na consolidação de um corpo técnico capacitado. A empresa baiana, que atua no mercado de montagens industriais e construção e manutenção de gasodutos e oleodutos, também foi atrás das certificações ISO 9001 (Sistema de Qualidade), ISO 14001 (Sistema de Gestão Ambiental), OHSAS 18001 (Sistema de Saúde e Segurança Ocupacional) e SA 8000 (Responsabilidade Social).
Para Gilvan Couceiro d´Amorim, presidente do Conselho de Administração da GDK, como o mercado de petróleo e gás está em constante evolução tecnológica, não é difícil compreender os desafios enfrentados pelas empresas que se propõem a atuar nesse segmento da engenharia, especialmente no que tange à aquisição de novas tecnologias, o treinamento continuado de pessoal e a implantação de novos conceitos de administração. "Mas ao agregar aos seus empreendimentos competência e tecnologia de ponta, a Petrobras consequentemente promove o crescimento de todos aqueles fornecedores que estejam dispostos a assumir os altos custos dos investimentos iniciais", diz.
Incentivo à cadeia de fornecimento
Dispor de fornecedores de produtos e serviços com capacitação e competitividade o bastante para suprir suas demandas é considerado um dos grandes desafios da Petrobras. Paulo Roberto Carvalho de Alencar, da Petrobras, afirma que há fornecedores nacionais, tanto de bens, como de serviços, com nível de excelência comparável aos melhores fornecedores estrangeiros. "Mas ainda assim será necessário um grande esforço em desenvolvimento tecnológico e de investimento para suprir a demanda para as novas fronteiras exploratórias", diz Alencar.
Segundo ele, numa tentativa de reduzir esse distanciamento, foi criado recentemente o Portal de Oportunidades da Cadeia de Suprimentos do Setor de Petróleo e Gás Natural, que pretende disponibilizar para o mercado informações sobre as demandas de materiais, equipamentos e componentes necessários para a implantação dos projetos de investimentos, bem como estimular uma interação entre os fornecedores dos diversos elos da cadeia de suprimentos do setor. Parte do Prominp (Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural), o portal permite às empresas cadastradas divulgar os principais produtos e serviços ofertados, tornando-se visíveis para toda a cadeia de suprimentos. Pelo portal também é possível identificar potenciais fornecedores para o atendimento de suas próprias demandas de insumos e componentes. Para acessar o portal, entre em www.prominp.com.br e clique na guia "Cadeia de Fornecedores do Setor de P&G".
As regras que regem a contratação
Decreto 2.745/98 - Disciplina o procedimento licitatório simplificado a ser realizado pela Petrobras para contratação de obras, serviços, compras e alienações.
MPC (Manual de Procedimentos Contratuais) - aborda os aspectos operacionais da contratação, complementando os critérios definidos no Decreto 2.745/98.
Para visualizar esses dois documentos na íntegra, acesse: http://www.petrobras.com.br/pt/canal-fornecedor.
Os cinco critérios de avaliação de fornecedores
Técnico - avalia a capacidade técnica da empresa para a prestação de serviços. São levados em conta: instalações administrativas, instalações industriais, equipamentos próprios e capacidade de alocação de equipamentos, suprimento de materiais, pessoal, capacitações tecnológicas da empresa e serviços já realizados, entre outros.
Legal - procura conhecer e acompanhar a regularidade das empresas no cumprimento de suas obrigações junto ao mercado, aos órgãos de governo e à sociedade. Requer a apresentação de uma série de documentos que comprovem regularidade fiscal e tributária, como Certidão Negativa de Débito com o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), Certidão de Regularidade com o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e Certidão de Débitos Relativos a Tributos Federais e à dívida ativa da União, entre outros.
Econômico
- busca assegurar que a empresa possa concluir os serviços. Toma como referência dados de Balanço Patrimonial e de Demonstrações Financeiras.
SMS
- visa identificar o grau de implementação de questões de Saúde, Meio Ambiente e Segurança, valorizando e estimulando as certificações segundo as normas ISO 14001 e OHSAS 18001.
Gerencial - busca conhecer a postura gerencial e de responsabilidade social das empresas. Considera: Certificação ISO 9001, Sistema de Gestão da Qualidade, Responsabilidade da Direção, Gestão de Recursos, Realização do Produto, Medição/Análise e Melhoria e Política de Excelência - PMQ.
Fonte: Petrobras