Drywall tem nova norma Com nova norma de procedimentos para montagem, drywall apresenta quadro normativo completo e atualizado
Por Gisele C. Cichinelli
Disponível no mercado brasileiro desde a década de 1970, o drywall só ganhou espaço na construção na última década. Por outro lado, nos últimos anos, sua cadeia produtiva atingiu um nível de organização exemplar: as normas técnicas referentes ao sistema são atuais e contemplam desde a produção à montagem; o treinamento de mão de obra é constante; e as informações técnicas disponibilizadas pelos fabricantes são abundantes.
As chapas à base de gesso para fechamento têm como principais características a leveza, flexibilidade, rapidez de execução e redução dos resíduos nos canteiros de obra. O sistema tem maior penetração nos segmentos comercial e hoteleiro; no residencial, o uso é incipiente, com maior participação nos empreendimentos de classe A e B. "O drywall já é uma realidade consolidada na construção civil brasileira. Mas, agora, o sistema também será uma excelente alternativa para viabilizar as construções de habitações nos próximos anos", opina Paulo Sanchez, diretor da Sinco.
Quando corretamente especificado e executado, o desempenho do sistema é adequado. No entanto, a regra de ouro para outros sistemas também se aplica ao drywall: projeto e especificação de materiais detalhados, compras de acordo com o especificado e mão de obra especializada são fundamentais.
Na hora de selecionar o fornecedor, a aquisição de componentes de modo isolado tem grandes chances de acarretar problemas. O ideal é que o comprador adquira o sistema completo (chapas, perfis e demais componentes como parafusos, massas e fitas para juntas etc.). "Essa prática permite a garantia da instalação do sistema, o que não aconteceria caso se comprasse a chapa de gesso de um fornecedor e os perfis de aço de outro", alerta Sanchez.
Norma nova
Em relação à qualidade do produto ofertado ao mercado, os avanços têm sido significativos. O mais recente deles foi a publicação do texto da NBR 15.758 - Sistemas Construtivos em Chapas de Gesso para Drywall - Projeto e Procedimentos Executivos para a Montagem. Com a norma, que passou a vigorar em outubro de 2009, agora todos os componentes e exigências para a correta execução do sistema estão padronizados.
Segundo o consultor da Associação Drywall, Carlos Roberto de Luca, com o novo texto, o sistema está totalmente inserido no PBQP-H (Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade no Hábitat). "E com a entrada da norma de desempenho das edificações (NBR 15.575 - Edifícios Habitacionais de até Cinco Pavimentos - Desempenho), a nossa intenção é conduzir o setor para a excelência da qualidade, promovendo a melhoria constante e permanente do nosso mercado pelo PSQ (Programa Setorial da Qualidade) Drywall", afirma De Luca, que também atua como gerente do referido PSQ.
Recentemente a Associação Drywall contratou a Tesis Engenharia para fazer a gestão técnica do programa, que no momento está em fase de diagnóstico do setor. "Ainda não temos uma relação das empresas qualificadas e das não conformes. Estamos avaliando se os produtos disponíveis no mercado estão ou não em conformidade com as normas existentes", diz Maise Vasques Ribeiro, coordenadora do PSQ Drywall. Maise explica que serão avaliados todos os componentes do sistema, placas de gesso, perfis de aço, incluindo os guias, montantes e canaletas com suportes niveladores para a instalação de forros, massas para juntas, e todos os fixadores e parafusos.
Enquanto aguarda o desenrolar desses trabalhos, o setor acaba de comemorar a sua mais recente conquista: a classificação da Resolução Conama 307, que considerava os produtos oriundos do gesso como Classe C (ou seja, não recicláveis), deve ser revista. "Conseguimos reverter essa situação em novembro de 2009 e agora o gesso passará a ser considerado como Classe B", conta De Luca.
Checklist
Projeto
O drywall, para melhor resultado e aproveitamento de suas potencialidades, deve ser especificado na etapa de projeto.
Conte sempre com profissionais experientes nessa tecnologia para auxiliar na especificação.
O drywall possui grande variedade de composições. A especificação deve definir os níveis de desempenho acústico, mecânico e resistência ao fogo.
Compra
Antes de comprar, o profissional que irá realizar essa tarefa deve ter em mãos as especificações do projetista.
A prática mais recomendada é comprar o sistema completo, incluindo chapas, perfis e demais componentes, de um único fornecedor e por uma rede credenciada de fabricantes.
Recebimento
Na hora de receber o produto, confira se o que foi entregue e será montado está de acordo com a especificação.
Como os demais sistemas dependem da execução da parede, o cronograma de entrega deve ser rigoroso. Confira se a empresa contratada tem condições de entregar no prazo combinado.
Evite armazenar o material em locais com umidade.
Execução
As interfaces do drywall com os demais sistemas (elétrico, hidráulico, telefonia, aspiração e outros) devem ser muito bem executadas para não comprometer o desempenho da parede.
Para garantir a boa execução do sistema, recomenda-se que a montagem seja executada por profissionais credenciados pelos fabricantes. A rede de distribuidores e instaladores pode ser obtida no site dos fabricantes.
Para facilitar a execução, o ideal é prever as tubulações e dispositivos de fixação adequados ainda em projeto.
Resíduos
Para informações sobre coleta, armazenagem e destinação para reciclagem, consulte a Cartilha de Resíduos na construção civil desenvolvida pela Associação Drywall no site www.drywall.org.br
Normas técnicas
NBR 14.715 - Chapas de Gesso Acartonado - Requisito.
NBR 14.716 - Chapas de Gesso Acartonado - Verificação das Características Geométricas.
NBR 14.717 - Chapas de Gesso Acartonado - Determinação das Características Físicas.
NBR 15.217 - Perfis de Aço para Sistemas Construtivos em Chapas de Gesso para Drywall - Requisitos e Métodos de Ensaio.
NBR 15.758 - Sistemas Construtivos em Chapas de Gesso para Drywall - Projeto e Procedimentos Executivos para Montagem.
Mesa-redonda
Qual é a participação do drywall em cada segmento da construção?
Carlos Roberto De Luca - O sistema tem uma aceitação já consolidada nos segmentos comerciais e de hotelaria. No segmento residencial, sobretudo nos empreendimentos destinados às classes A e B, seu uso vem crescendo. Esse crescimento ocorre porque o produto tem se tornado cada vez mais conhecido pelo consumidor final em virtude das suas características tais como a facilidade e agilidade de montagem.
Felipe Barros - Para o uso em forros, não há nenhuma resistência ao produto, mas para paredes, ainda há certas barreiras. Atualmente, a especificação do produto por parte das construtoras é bastante expressiva. Mas há um volume de vendas considerável também no varejo, o que significa que os nossos distribuidores estão vendendo para obras de pequenas reformas.
De Luca - São mercados diferentes. De um lado, há a construtora, que vai comprá-lo e usá-lo em um prédio inteiro. Do outro, estão as reformas, cujo mercado está crescendo muito, o que comprova que o consumidor final está reconhecendo as qualidades do produto.
Ivaldo Rocha - O drywall tem se disseminado em diversos segmentos. No de edificações econômicas, a sua penetração tem acontecido pela substituição da plaqueta de gesso convencional pelo forro industrializado (também conhecido como forro "H"). Há um consumo crescente desse material nesse tipo de empreendimento. Com ele, é possível agilizar o processo de execução da obra, diminuir o resíduo e ainda racionalizar o canteiro.PÁGINAS :: 1 | 2 | Próxima >> |