Especialista da OIT atribui à iniciativa privada a responsabilidade da qualificação de mão de obra
É com você, construtor
Para Edmundo Werna, especialista sênior da indústria da construção na Organização Internacional do Trabalho, a solução para a atual escassez de mão de obra qualificada recai sobre as construtoras: "Geralmente o setor privado tem mais agilidade para treinamentos de urgência. O setor público depende de política, planejamento, aprovação". Segundo Werna, o governo é responsável por ter uma visão estratégica, de longo prazo, mas em situações emergenciais como a que começa a despontar no Brasil, as rédeas mesmo estão nas mãos das empresas.
Pra que qualificar?
Perguntado sobre as estratégias do Estaleiro Atlântico Sul, maior empreendimento da indústria naval em Pernambuco, para dar conta da demanda de mais de quatro mil operários envolvidos na construção, o porta-voz da comunicação do estaleiro afirmou: "Esse não foi um problema porque a construção não demanda pessoas qualificadas, sabe? Qualquer um trabalha".
Bolsa da Dilma
O programa PlanSeq (Plano Setorial de Qualificação), que condiciona o uso dos recursos destinados à qualificação de profissionais aos beneficiários do Bolsa Família, está sendo apelidado, em regiões do Nordeste, como "O plano da Dilma". Quem conta é representante de instituição de ensino que acompanha, de perto, os processos de recrutamento junto às comunidades assistidas.
BATE-ESTACA
Dá um Google!
Uma grande incorporadora de capital aberto não está nada contente com algumas ofertas de terrenos que tem recebido de outras construtoras. Uma delas ofereceu uma proposta de parceria para empreender um edifício em um terreno "completamente plano" na zona Leste de São Paulo. Desconfiado, dada as características da topografia da região, o diretor da incorporadora fez uma consulta rápida no Google Earth, ferramenta de pesquisa de mapas do Google. O resultado apontou que o terreno tinha uma inclinação de 15%. "Eles não tinham feito nenhum estudo da área. Só pelo Google já vi que não era plano!", conta o diretor.
Até o governador
O aquecimento do mercado de trabalho em Porto Velho, iniciado com a chegada das usinas hidrelétricas do Rio Madeira, tem atraído um contingente expressivo de construtores e operários do Sudeste e Sul do País, conta um empresário da região. "Diria que 30% a 40% da população que vive hoje em Porto Velho é do outro lado do Brasil. Para se ter uma ideia, o governador é de Concórdia (SC) e o prefeito, de São Paulo", graceja.
Batalhão de fiscais
De acordo com um consultor tributário, centenas de funcionários da Receita Federal ficaram ociosos por conta de uma série de ferramentas de Tecnologia da Informação implantadas no órgão, como a Nota Fiscal Eletrônica e o Sped (Sistema Público de Escrituração Digital). Resultado: "é bom tomar cuidado, pois esse pessoal agora irá com muita sede ao setor de construção fiscalizar as empresas", alerta.