O TCU (Tribunal de Contas da União) é insubstituível.
Não nos cabe questionar a adequação de seus
recursos humanos e a qualidade de seus referencias técnicos.
No território das obras públicas que recebem recursos
financeiros federais, o TCU presta assessoria ao Congresso
Nacional, apontando eventuais indícios de irregularidades
nos contratos. Essa é a armadilha que tem aprisionado
grande parte do esforço de cobertura jornalística,
sobre a temática, transformando indícios de irregularidades
em fato consumado. A questão também
mereceu destaque na principal revista
brasileira de informação de massa,
na edição inaugural deste ano.
Em face dos indícios de irregularidades,
cabe a contratantes e construtoras
apresentarem as suas defesas. A
questão de ordem administrativa desemboca
num quadro de inércia, culminando
com a paralisação de obras, acarretando prejuízos
para contratantes, construtores e sociedade.
A área executiva do governo mostra-se sensível a
essa conjuntura e a área empresarial mobiliza-se institucionalmente,
na tentativa de encontrarem soluções,
ao mesmo tempo em que permanecem os embates jurídicos
e a paralisia para a retomada de obras.
É inexorável um sentido de transparência, presidindo
todas as relações e processos entre os agentes de
obras públicas, como envoltória máxima que reúne vetores
de ultrapassagem da situação ora delineada.
Dentro dessa perspectiva é preciso reconhecer que
tecnicamente as obras públicas de infra-estrutura são
obras especiais, não repetitivas e não convencionais, que
incorporam tecnologias inovadoras e sofrem impactos
de contingências de execução. Para que sejam analisadas,
sob a óptica dos orçamentos, em substituição à autópsia
de custos, devem ser adotados procedimentos de
controle, aplicadas metodologias específicas e utilizados
referenciais dinâmicos. Os vetores racionais, que
orientam esses processos, análises, metodologias e referenciais,
resultam do resgate da Engenharia de Custos,
articulada com preceitos de Engenharia de Construção
Civil e experiência de canteiro de obras.
Não há como entender e superar vícios e irregularidades
em orçamentos, sem o respaldo de conhecimento
técnico, lógica de cálculo e pesquisas, para produzir
conclusões confiáveis.
Toda a formulação técnica é que vai oferecer o indispensável
veículo da transparência. Portanto, somente
o produto do embate entre indícios de irregularidades
e fundamentos de Engenharia é que gera a incontestabilidade
do fato consumado.
Para identificar indícios ou irregularidades de sobrepreço,
é um imperativo concentrar-se no processo de formação
do preço, na origem, aplicando procedimentos de
Engenharia de Custos que determinam a decomposição
dos custos, em custos dos recursos técnicos (mão de obra,
materiais e equipamentos), custos dos recursos logísticos
(Administração Local e Canteiro) e BDI (Benefícios e
Despesas Indiretas). No caso dos custos dos recursos técnicos,
devem-se analisar os preços dos insumos e os coeficientes
de produtividade, produção e consumo. No caso
dos custos dos recursos logísticos, devem-se analisar as
necessidades da mão de obra, dos materiais e dos equipamentos,
as necessidades de gestão de apoio técnico e operacional,
as necessidades de instalações, sistemas e redes
e, para o BDI, devem-se analisar o contrato, o porte do
empreendimento e a estrutura organizacional do construtor. É necessária, portanto, a montagem de uma escala de
avaliação, abrangendo a variação de preço de mercado,
que contém o preço tangencial ou de tendência (de natureza
estatística), e o preço interceptivo, ou seja, aquele
preço em torno do qual deveriam gravitar os preços de
propostas técnico-financeiras mais competitivas.
É também um imperativo aplicar procedimentos de
Engenharia de Resultados, contando com subsídios do
gerenciamento de custos (contratante) e da gestão de
custos (construtor), devidamente conciliados e com sentido
de transparência. Dentro dessa perspectiva, pode-se
esperar que o equilíbrio econômico-financeiro seja permanentemente
objetivado e alcançado pelas partes, que
para tanto recorrem a orçamentos balanceados isentos
de vícios e irregularidades.
Eng. Luiz Freire de
Carvalho, consultor, e
arq. Mário Sérgio Pini, diretor técnico da PINI Serviços de Engenharia |