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Para todos os padrões
Sistema de alvenaria estrutural ganha mercado em habitações de baixa a alta renda

Por Ana Galli

Marcos Lima
A composição de bloco
, argamassa, graute e eventualmente armações é hoje responsável por um dos sistemas construtivos que mais crescem no setor. Visto no passado como material para construção popular, hoje o uso dos blocos de concreto (ou alvenaria estrutural) está em franca expansão e já faz parte de construções de médio e até mesmo de alto padrão. "Muitos tinham a visão equivocada de que o bloco é apenas para o segmento popular. Hoje essa visão caiu por terra", conta o gerente comercial da Glasser, Mário Sérgio Guimarães. E completa: "Há uma desmistificação de que a alvenaria estrutural só é vantajosa para um determinado segmento econômico. Acredito que se ela for pensada na fase de projeto e haver uma compatibilização entre o projeto arquitetônico e o projeto de cálculo estrutural, e até da tipologia do empreendimento, a alvenaria estrutural se mostra muito vantajosa em relação a outros sistemas construtivos". Guimarães explica que uma das vantagens desse sistema é a possibilidade de usar o revestimento interno direto sobre o bloco. "São variáveis que, somadas, mostram um resultado muito vantajoso financeiramente para todos os segmentos da construção civil", conta.

A visão de Guimarães é compartilhada pelo presidente da Bloco Brasil, Carlos Tauil, associação que reúne os principais fabricantes de bloco de concreto do País. "Se for entrar pela linha da sustentabilidade na construção civil, existe uma série de vantagens, como o consumo menor de energia, se comparado a outros sistemas". Para Tauil, a alvenaria estrutural hoje tem reduzido volume de entulho. "Fora a redução de revestimentos. Se a parede permite colar um bloco, não é preciso colocar massa grossa, chapisco, massa fina e temos ainda assim o mesmo efeito. Também não é preciso cortar a parede para remover entulho. Basta embutir a tubulação", diz.

Outro forte motivo para a expansão do uso da alvenaria estrutural em todos os segmentos da construção civil foi o avanço tecnológico do produto. O sistema, que antes permitia construções de no máximo 15, 16 pavimentos, hoje já suporta até 28 andares, o que ampliou as possibilidades de uso do material. "Isso foi possível principalmente graças à definição das classes de resistência, que permitem a fabricação de blocos de várias resistências", conta Tauil. A criação dessas categorias tornou possível a flexibilização do uso do bloco de concreto, que atualmente permite a construção tanto de uma casa, um sobrado, um edifício de quatro andares ou de até 28 andares. "O recorde no uso de bloco de concreto é um edifício de 28 andares em Las Vegas", conta Tauil.


Incentivo ao crescimento

De acordo com o gerente comercial da Glasser, Mário Sérgio Guimarães, o setor de blocos de concreto teve dois grandes incentivos para crescer nos últimos anos. O primeiro deles foi o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, que fomenta a construção de habitações para as famílias com renda até dez salários mínimos. O segundo foi a revisão da norma NBR 6136 - Blocos vazados de concreto simples para alvenaria - Requisitos, conforme explica Guimarães: "A Glasser produz o Bloco Classe C desde 1995, mas somente com a revisão da norma ele virou um produto normatizado", conta. "Isso foi muito positivo para nós e para o mercado de alvenaria estrutural. Hoje, o Bloco C é um produto típico para ser utilizado nesses empreendimentos, mais leve, mais barato e gera um ganho maior de produtividade". Segundo o representante da Tatu Premoldados, Rogério Durante, a nova norma possibilitou para o projetista tornar as construções mais viáveis. "Agora, ele pode verificar as tensões e, caso seja viável, usar um bloco mais leve", afirma.

O grande desafio para a associação dos fabricantes é popularizar essa norma entre os projetistas. Segundo Durante, um passo importante para a indústria de blocos é convencer esses profissionais a mudar o sistema de construção e adotar a alvenaria estrutural. "Um dos desafios é popularizar isso nas universidades, que hoje oferecem a alvenaria estrutural apenas como matéria eletiva", conclui.

 

Checklist

Projeto, especificação e seleção de fornecedores

Para melhorar o aproveitamento do sistema, é preciso compatibilizar os projetos arquitetônico e estrutural.

Pesquise antes de comprar. Conhecer o fabricante e a opinião do mercado em relação a determinado produto é essencial para a garantia de qualidade e de entrega do fornecedor.

Com o aquecimento do mercado de blocos de concreto, para não ter problema com o fornecimento, o ideal é que haja um planejamento de no mínimo 90 dias.
Firme parcerias para treinar mão de obra adequadamente.
Priorize fábricas que possuam o selo da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland).

Logística

O material é alocado pelos fabricantes em cubos embalados, que podem ser checados pelo recebedor com a nota de fornecimento.

O fabricante precisa garantir perda zero no transporte do material ao canteiro.

Existem basicamente três tipos de descarga do material: a paletizada, a com minipaletes e a manual. A primeira e a segunda alternativas são as mais indicadas por terem índices de quebras menores.

Normas técnicas relacionadas

NBR 6136 - Bloco vazado de concreto simples para alvenaria estrutural
NBR 5712 - Bloco vazado modular de concreto
NBR 7184 - Blocos vazados de concreto simples para alvenaria - Determinação da resistência à compressão
NBR 12117 - Blocos vazados de concreto para alvenaria - Retração por secagem
NBR 12 118 - Blocos vazados de concreto para alvenaria - Determinação da absorção de água, do teor de umidade e da área líquida
NBR 10837 - Cálculo de alvenaria estrutural de blocos vazados de concreto
NBR 8798 - Execução e controle de obras em alvenaria estrutural de blocos vazados de concreto
NBR 8215 - Prismas de blocos vazados de concreto simples para alvenaria estrutural - Preparo de ensaio à compressão
NBR 8949 - Paredes de alvenaria estrutural - Ensaio à compressão simples
NBR 14321 - Paredes de alvenaria estrutural - Determinação da resistência ao cisalhamento
NBR 14322 - Paredes de alvenaria estrutural - Verificação da resistência à flexão simples ou à flexocompressão
NBR 14974-1 - Bloco sílico-calcário para alvenaria - Parte 1: Requisitos, dimensões e métodos de ensaio
NBR 14974-2 - Bloco sílico-calcário para alvenaria - Parte 2: Procedimento para execução de alvenaria

 

Mesa-redonda

FOTOS: MARCELO SCANDAROLI

Como foi o desempenho do mercado de blocos de concreto em 2009?

Carlos Tauil - O setor está em franca expansão, tanto no crescimento do mercado de fornecedores de bloco quanto no crescimento do parque industrial. A causa é o grande movimento imobiliário em São Paulo que se expandiu para o resto do Brasil e levou a tecnologia da alvenaria estrutural para outras partes do País. Só agora os outros estados começam a perceber que é um sistema interessante para fazer prédios baixos, médios e altos, e isso contribui para o crescimento do setor. O principal impulso foi o programa Minha Casa, Minha Vida, que deu um pouco mais de certeza para uma área que é tão sazonal. O programa e o consequente reforço financeiro foram o empurrão que os industriais precisavam para investir, o que indica que 2010 será um excelente ano para a alvenaria estrutural.

Mário Sérgio Guimarães - É uma boa fase, tanto que a Glasser, que completa esse ano 40 anos de mercado, trabalha pela primeira vez na sua história com 100% da capacidade produtiva, reflexo da importância que o mercado está dando à alvenaria estrutural. Na década de 1990, apenas 70% do que vendíamos era bloco de concreto de vedação e pisos de concreto. Hoje, essa situação se inverteu. Estamos com 70% da nossa fábrica voltada para os blocos de concreto estrutural com oito grandes empreendimentos de até 20 andares.

Rogério Durante - A Tatu também sentiu a aceleração do mercado. Em 2008, começamos novos investimentos prevendo um possível salto no consumo. Em 2008, começamos a implantação de uma nova fábrica de concreto que aumentou a produção em 40% a 45%. Em 2009, esperávamos ficar com a parte da capacidade ociosa em função das novas máquinas e da retração da economia, mas isso não ocorreu. Trabalhamos bastante no ano passado, tanto que a empresa já revê planos de ampliação da capacidade.

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Edição 104
Março/2010
     
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