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Escassez de mão de obra abre espaço para projeção mecanizada de argamassas
Por Gisele C. Cichinelli

SANDRA PARAVISI
O desempenho e a produtividade na execução de revestimentos à base de argamassa, quando executada manualmente, dependem, em muito, da qualificação da mão de obra. Por isso, o uso de projetores mecânicos de argamassas tende a ser cada vez mais difundido entre as construtoras que correm atrás de alternativas para diminuir a interferência humana e agilizar essa etapa da obra.

Atualmente, as empresas que pretendem partir para a mecanização encontram no mercado brasileiro dois tipos de projetores: por spray de ar comprimido com recipiente acoplado, popularmente conhecido como canequinha, e por bombas. O primeiro método ganhou força, principalmente entre as construtoras paulistas, graças a sua facilidade de operação, custo menor do equipamento e treinamento mais rápido da mão de obra, além de apresentar riscos menores de entupimento e dispensar o uso de argamassas especiais.

Já o projetor por bomba, considerado pela Abai (Associação Brasileira de Argamassas Industrializadas) como o verdadeiro sistema de projeção, é uma tecnologia mais sofisticada, pois permite um fluxo contínuo de projeção - ante o ciclo intermitente, de enche e esvazia, da canequinha -, garantindo maior qualidade e produtividade da aplicação. Por outro lado, o método demanda argamassas especialmente engenheiradas para esse fim. "Mas justamente por exigir o uso de produtos específicos é que o sistema é mais eficiente, pois essas massas especiais facilitam o bombeamento e a projeção", explica Fábio Luiz Campora, diretor-executivo da Abai.

As argamassas para projeção são formuladas para reduzir o módulo de elasticidade, além de receberem aditivos que reduzem a absorção de água e outros componentes que podem facilitar etapas posteriores de execução (como acabamento, por exemplo), garantindo menor tempo de puxamento e maior trabalhabilidade da massa. Tonelada por tonelada, esse tipo de argamassa é mais cara, mas, na hora de avaliar números, o importante é ponderar o custo final do metro quadrado da parede pronta, segundo o diretor da Abai.

Apesar dos benefícios, apenas algumas construtoras de Brasília, Curitiba, Salvador e Campinas aderiram ao sistema de projeção por bomba, por enquanto. Mas a julgar pela opinião de especialistas, as perspectivas para a difusão do método são bastante positivas e devem ser impulsionadas pela necessidade premente de industrialização nos canteiros. "A aplicação via canequinha representa um ganho de qualidade e produtividade considerável quando comparado ao método manual, mas ainda é um processo intermediário, semi-industrializado. A evolução natural desse mercado é a adesão das grandes construtoras ao método de projeção por bomba", acredita Campora.

Mudança de processos

Seja por canequinha ou por bomba, as vantagens do método de projeção sobre o manual não são poucas, a começar pela qualidade do revestimento. Quando corretamente aplicada, a projeção diminui drasticamente a quantidade de ar no processo e, por ser um procedimento mecânico, a energia de lançamento da massa não sofre alterações, garantindo maior superfície de contato entre a argamassa e a base e uma menor variação no coeficiente de aderência.

A simples troca da colher de pedreiro pela bomba de projeção ou pela canequinha, no entanto, não garante o resultado final do revestimento. Na hora de avaliar o desempenho, é preciso analisar o sistema como um todo e não apenas o equipamento. O ideal é prever o uso dos projetores ainda na fase de projeto, já que a produtividade e viabilidade técnica e econômica da projeção são consequência direta da correta implantação e de outras condições relacionadas à própria obra. "A produtividade da equipe, em termos de homens-hora, aumenta consideravelmente enquanto ocorre o processo de projeção. No entanto, essa tecnologia demanda um tempo significativo de ajuste para colocar a máquina e a equipe em operação", lembra o Prof. Dr. Eduardo Luis Isatto, da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).

Outro ponto que merece atenção no que diz respeito à produtividade é que a projeção é bastante suscetível às paradas em decorrência de variações da consistência da argamassa, que podem causar entupimentos e consequente necessidade de limpeza e recolocação da bomba em operação. Para evitar dores de cabeça desnecessárias, o processo de projeção deve ser cuidadosamente planejado e organizado de forma a eliminar esse tipo de transtorno.

Para extrair o máximo do sistema de projeção é preciso ter frente de trabalho, evitando o subdimensionamento do equipamento. "É importante que o construtor repense e esteja aberto para mudar os processos do canteiro como um todo", observa Campora enquanto lamenta que o mais comum é encontrar na obra instalações rudimentares e mão de obra desqualificada. Nesse sentido, é importante ressaltar que os empreiteiros serão peças-chaves para a difusão correta desses sistemas.

Fornecedores

Ainda são poucas as empresas que fornecem equipamentos no Brasil. Vale lembrar que as canequinhas são fornecidas em diferentes desenhos do recipiente. Consequentemente, o desempenho de cada modelo será distinto.

De acordo com Rodolfo Araújo da Silva, gerente de obras da Souza Netto Engenharia, construtora baiana que desde 2006 utiliza o sistema de projeção por bombas, o atendimento das empresas tem sido satisfatório. "Em nosso caso, o regime de contratação consiste na prestação de serviço englobando aluguel de silos, bombas, compressores, mangotes, tubulação, serviço de projeção e fornecimento de argamassa a granel e temos sido bem atendidos", conta o engenheiro.

Checklist

Projeto

Para garantir o desempenho e a produtividade esperada, preveja o uso dos equipamentos de projeção ainda na fase de projeto.

Argamassas

A argamassa industrializada deve atender aos requisitos de rendimento, trabalhabilidade e resistência, além de ser entregue em embalagens adequadas, respeitando a logística de cada obra.

Verifique se o fornecedor é conhecido e bem avaliado no mercado, se o produto atende às normas técnicas ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) exigidas e quais são as garantias oferecidas após a aplicação do material.

Certifique-se de que o fornecedor possui equipe de suporte técnico e se oferece treinamentos.

Analise preço, volume do material, embalagem, forma de aplicação e nome do produto, prazo de entrega e volume de cargas fracionadas ou fechadas, condições de pagamentos e o pedido mínimo de entrega.

Equipamentos

Idoneidade, oferta de assistência técnica e cumprimento de prazos de entrega devem pautar a escolha do fornecedor das máquinas.

No canteiro, o equipamento deve ficar em local ventilado, de preferência longe da área a ser projetada a argamassa (para evitar danos à máquina) e de vizinhos.

Cheque a disponibilidade e o estado do equipamento e, se for o caso, realize manutenções preventivas.

Mantenha o equipamento sempre limpo.

Normas técnicas

NBR 7200 - Execução de Revestimento de Paredes e Tetos de Argamassas Inorgânicas - Procedimento

NBR 13281 - Argamassa para Assentamento e Revestimento de Paredes e Tetos - Requisitos

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Abril/2010
     
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