Em ano eleitoral, burocracia emperra apuração de reportagens técnicas sobre obras públicas
Liberdade...
Anos eleitorais são complicados para jornalismo especializado. Revistas técnicas têm esbarrado na burocracia ao tentar preparar reportagens sobre grandes obras públicas em andamento no Estado de São Paulo. Ao procurar a assessoria de uma delas, a editora recebeu recomendação para "usar"
a reportagem que já tinha sido publicada em outro veículo e que estava "ótima", segundo a assessora. E nem pensar em entrevistar mais ninguém, além de um único representante do órgão público. Justificativa: "quem sabe tudo é o diretor da obra e somente ele".
A editora agradeceu e, contrariada, deixou a pauta de lado.
Sem imprensa
Outra tentativa - uma reportagem de uma importante obra do setor de saúde - esbarrou nas severas condições impostas pela assessoria daquela secretaria de Estado. Depois de um pedido de autorização formal para a reportagem, a assessoria sentenciou: "Só se a gente ler a matéria antes". Frustrada ficou a construtora, que perdeu a oportunidade de valorizar o portfólio com mais uma obra de referência publicada. Há sempre a velha desculpa de que algum detalhe técnico poderia escapar. Mas sabe-se que as questões, na verdade, são outras.
Zero de entrada
Diretor técnico de uma pequena construtora baiana se queixa das parcelas a perder de vista oferecidas pelas grandes incorporadoras - recém-chegadas ao mercado de Salvador. "A tendência é que o cliente compre um apartamento sem pagar nada de entrada; que não pague nada até as chaves; que a empresa banque a construção". Segundo ele, a consequência direta desse modelo de negócio é a redução do poder de fogo das incorporadoras locais. "Sempre trabalhamos sozinhos. Agora, para nos mantermos no mercado, passamos a ter um sócio, coisa que não precisávamos antes."
BATE-ESTACA
Lotes fechados
Empresa tradicional do ramo de loteamentos abertos tem registrado queda significativa no faturamento das vendas. Segundo seu presidente, o motivo é que desde a ampliação da oferta de linhas de financiamento imobiliário a taxas reduzidas, o nicho de lotes econômicos perdeu espaço para o segmento de apartamentos novos. "Essa tendência, confirmada com o Minha Casa, Minha Vida, provocou um excesso de lotes estocados. A saída tem sido mudar a tradição e investir nos segmentos de loteamentos abertos de alto padrão e de edificação de apartamentos residenciais sobre os antigos lotes estocados", diz.
Sem Habite-se
Muitos construtores têm efetuado a transferência da posse de unidades habitacionais para seus clientes sem prévia emissão do Habite-se, conforme manda a lei. Quem alerta é um especialista em direito tributário. Segundo ele, "a estratégia serve para impedir atrasos no pagamento do título de crédito com possíveis multas e até rescisões", disse. "Tudo para não atrasar a entrega das chaves". Vale lembrar que vender um imóvel sem Habite-se é como vender algo que não existe oficialmente.
Natal atrai idosos
O arquiteto Ronald de Góes afirma, em artigo, que o baixo custo de vida da cidade nordestina de Natal, em comparação à realidade europeia, tem atraído estrangeiros da terceira idade ao território potiguar. "Não por acaso um dos maiores empresários do setor imobiliário espanhol e que investe no Rio Grande do Norte possui uma empresa especializada em condomínios para a terceira idade", diz. Goés informa que a cidade, segundo estimativas oficiais, recebeu nos últimos dois anos cerca de 160 mil novos moradores, entre nacionais e estrangeiros.