| Desempenho (im)popular
Não é de hoje que a Norma de Desempenho de Edificações divide opiniões entre construtores. Mas quando se trata da aplicação de requisitos mínimos em edificações econômicas, a resistência às mudanças é ainda maior. "O Brasil tem milhões de pessoas em favela, morando embaixo de teto de zinco, com chão de terra batida! Faço uma obra de interesse social e tenho que me preocupar com o isolamento térmico da parede!", reclama o gerente de uma construtora focada no segmento popular. Quando se trata de conforto acústico, os mínimos exigíveis são ainda mais questionados. "Não cabe tratamento acústico na construção popular porque encarece a obra e deixa de ser popular. A pessoa que vai morar num apartamento popular não pode querer ter uma solução acústica", comenta um consultor de acústica.
A culpa é do cliente?
Para um alto funcionário de uma incorporadora paulista, atenuar ruídos de impacto entre lajes não é tarefa do construtor. "Estamos lutando contra um barulho que nós mesmos, enquanto seres humanos, geramos! Está errado. A gente precisa é educar o povo para não fazer barulho", reclama. "Se bater no teto do meu apartamento com um cabo de vassoura, vou incomodar o de cima, pode ter a laje que for. As mulheres fazem a mesma coisa andando de salto. E mesmo assim o juiz, diante de uma reclamação, dá sentença favorável ao cliente. É uma mistura de resistência a som com cultura e educação", disse.
A Norma e a Caixa Embora a Caixa Econômica Federal tenha anunciado que exigirá das construtoras o atendimento à Norma de Desempenho, não fica claro como essa fiscalização será feita. Em nota oficial, o banco apenas informa que já prevê nos contratos o atendimento a todas as normas brasileiras. Sobre isso, um engenheiro ligado a um instituto de pesquisa paulista, comenta: "O profissional da Caixa fica pressionado entre o meio técnico e o político. E desgraçadamente, em ano eleitoral o político não está interessado em qualidade, vida útil, custo-benefício. Tudo o que ele faz é para se reeleger".
BATE-ESTACA
Bloco x drywall Duas construtoras de grande porte estudam aumentar expressivamente o uso de placas de gesso acartonado em suas obras. O motivo é que o uso da alvenaria convencional exigiria uma quantidade muito grande de ensaios para adequação à Norma de Desempenho de Edificações. "Há muitos fornecedores de blocos e cada um deles fornece produtos com desempenhos tão distintos que, para preferir pela alvenaria nas paredes internas e cumprir os requisitos mínimos de acústica, teria que desenvolver soluções diversas de preenchimento desses blocos, ensaiando uma a uma."
Aço vigiado O estande da fornecedora de aço de origem turca Ekinciler Iron and Steel, na Feicon Batimat 2010 (Feira Internacional da Indústria da Construção), afugentou alguns construtores. Eles afirmaram sentir medo de serem flagrados em visita ao estande e, como consequência, sofrerem retaliações comerciais de outras empresas.
Condomínio de edículas Para fugirem das onerosas exigências da lei de loteamentos, algumas empresas estão disfarçando seus empreendimentos de condomínios. Como? Constroem nos lotes estruturas minúsculas, inabitáveis. "Parece um condomínio de edículas", brinca um profissional do setor que visitou as obras.
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