Durante o evento Nordest Invest, realizado em Natal, a ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira afirmou que grande parte dos documentos exigidos por prefeituras, Estados e órgãos federais para o licenciamento ambiental de empreendimentos não servem à análise objetiva das construções. "Há documentações exigidas para gerar emprego, para gerar consultoria para professor de universidade, para gerar estudo da empresa A, B ou C. Isso é inadmissível. É importante valorizar corretamente os instrumentos que a legislação definiu previamente e ter clareza sobre os procedimentos dos órgãos ambientais."
Apartamentos da Rocinha
Segundo Luiz Carlos Toledo, arquiteto e urbanista da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), os apartamentos localizados em meio à favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, e que estão sendo construídos com subsídios do programa Minha Casa, Minha Vida, não têm atraído o interesse dos moradores da região, público-alvo dos projetos. O motivo seria a dimensão das unidades: "os apartamentos que a Caixa Econômica vende lá têm de 40 a 50 m², com dois quartos, sala, cozinha. Nesse espaço, não cabem as famílias e os pertences delas, como geladeira dúplex, micro-ondas, máquina de lavar roupa. A Rocinha é uma favela diferente e a Caixa não analisou isso", disse Toledo, que pesquisou cerca de 11 mil residências da Rocinha.
Mitos da Caixa
Durante o IV Encontro Nacional da Aneac (Associação Nacional dos Engenheiros e Arquitetos da Caixa Econômica Federal), realizado em Porto Alegre, o arquiteto Nabil Bonduki afirmou que há muitos mitos em torno dos critérios da Caixa na aprovação de empreendimentos imobiliários. "Houve uma época em que ao fazer uma avaliação de conjuntos grandes [os peritos da Caixa] sempre encontravam problemas de pós-ocupação. E aí criou-se, no mercado, um mito de não fazer empreendimentos grandes. Mas isso vem do sistema de avaliação da Caixa, que gasta mais tempo conforme o tamanho e complexidade do projeto."
BATE-ESTACA
Puxadinhos em aeroportos
O Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias realizou um estudo sobre as condições atuais de diversos aeroportos brasileiros para atender às demandas previstas para a Copa de 2014. Consultado, um assessor da instituição não poupou críticas: "O estudo é um alerta para que todos entendam que a situação dos aeroportos é caótica. Em Guarulhos, por exemplo, estão fazendo obras que são verdadeiros puxadinhos".
MCMV fora de norma?
Questionado sobre os riscos do não atendimento de normas técnicas no setor da construção civil, um perito judicial disparou: "As casas do Minha Casa, Minha Vida são um crime, são contrárias à ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) em diversos pontos, de projeto e de execução. São casas que vão gerar processos judiciais daqui a 20 anos".
Sentem que sabem tudo
Investidor estrangeiro compara o perfil de empresários oriundos de diferentes regiões do País. "Os empreendedores do Nordeste parecem ser mais receptivos e podemos acrescentar mais ao desenvolvimento dos produtos deles. As regiões Sul e Sudeste do Brasil são dominadas por grandes empreendedores que, compreensivelmente, sentem que sabem tudo o que precisam saber. Não podemos acrescentar muito ao processo. Preferimos trabalhar com empreendedores pequenos locais, bem estabelecidos, com experiência e que entendam o mercado", disse Michael Russel, diretor da Charlemagne Capital, empresa de investimento especialista em mercados em desenvolvimento.