| ABNT restringe atuação do CB-02 Entidade desvinculou a normalização de produtos, componentes e materiais do Comitê Brasileiro de Construção Civil
O conselho deliberativo da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) aprovou no início de maio uma resolução que determina a reestruturação do CB-02 (Comitê Brasileiro de Construção Civil). Segundo o documento, o Cobracon ficará responsável apenas pela normalização de requisitos gerais referentes ao projeto, gerenciamento, custos e manutenção de edificações. Já produtos, componentes e/ou materiais utilizados em edificações serão objeto de Comitês Técnicos específicos, que serão criados na medida em que existam trabalhos em andamento ou que sejam demandados para os demais temas.
Nos bastidores, construtores se mostraram irritados com a decisão e atribuíram a atitude da ABNT à pressão de fabricantes de materiais de construção. Na avaliação dos construtores, a medida reduz a força de atuação do CB-02 e passa aos próprios fabricantes de materiais maior poder sobre a normalização do setor. Outra forte preocupação dos empresários refere-se ao fato de a medida ter sido tomada pouco depois da entrada em vigor da Norma de Desempenho de Edificações.
Realizada no âmbito do CB-02, a norma afeta profundamente a relação entre consumidores, construtoras e fabricantes, pois estabelece requisitos mínimos de desempenho, vida útil e garantia para os sistemas que compõem os edifícios. Em nota à imprensa, a ABNT informou que a medida "levou em consideração as diretrizes do Planejamento Estratégico da ABNT: estabelecer, sempre que possível, uma estrutura de Comitês Técnicos coerente com a da ISO ou IEC; e estabelecer acordos de cooperação com instituições representativas da sociedade para suporte aos Comitês Técnicos setoriais". A entidade informa, ainda, que será criada uma Câmara Setorial para "harmonização dos PNS (Programas de Normalização Setorial) dos Comitês Técnicos com interface com a construção civil".
Novo âmbito do CB-02 O CB-02 (Comitê Brasileiro de Construção Civil) passou a ficar responsável pela normalização no campo da construção civil, no que concerne a edificações, compreendendo:
n Terminologia; n Projeto de estruturas, independente do material da construção; n Organização de informações de projeto e construção; n Requisitos geométricos gerais para construção e elementos construtivos e componentes, incluindo coordenação modular e seus princípios básicos, regras gerais para juntas, limites e tolerâncias; n Regras gerais para outros requisitos de desempenho de construção e sistemas construtivos incluindo a coordenação desses com os requisitos de desempenho; n Projeto de ambiente interno de novos edifícios e modernização de existentes visando à sustentabilidade (incluindo conservação de energia e eficiência energética). Ambiente interno inclui fatores térmicos, acústicos e visuais e qualidade do ar; n Projeto e execução de obras e serviços da construção, visando à segurança de trabalhadores; n Gerenciamento e custos da construção, incluindo estudos de viabilidade, orçamentos, organização do empreendimento, contratação, recebimento de obras e serviços; n Manutenção de edificações incluindo elaboração de manuais de uso e avaliação pós-ocupação. Estão excluídos desse escopo os produtos, componentes e/ou materiais utilizados em edificações, bem como assuntos objeto de Comitês Técnicos específicos.
Contratações de mestres despencam Informação é de balanço do Dieese
Pesquisa divulgada em maio pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) aponta os números de contratações no setor da construção civil em 2010, situando quais as funções que mais e menos geraram postos de trabalho no primeiro bimestre deste ano. Os dados foram obtidos a partir do saldo entre admissões e demissões. Em pleno momento de aquecimento do setor, a pesquisa revela uma redução de 2.312 postos de trabalho de mestres de obras no Brasil. Por outro lado, a função de servente de obras teve saldo positivo de 153.204 durante mesmo período (veja quadro).
A pesquisadora Karla Cristina da Costa Braz, uma das coordenadoras da pesquisa, acredita que o servente de obras tem um saldo maior por conta da falta de mão de obra para suprir as demandas do setor. "As empresas hoje estão reclamando que está faltando mão de obra no setor, e justamente o servente e o pedreiro são os postos mais ofertados", explica. O estudo ainda informa que neste ano o setor fechará com 180 mil empregados com carteira assinada, número superior ao índice de 2009, que teve 177.185 trabalhadores contratados.
Pesquisa divulgada em maio pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) aponta os números de contratações no setor da construção civil em 2010, situando quais as funções que mais e menos geraram postos de trabalho no primeiro bimestre deste ano. Os dados foram obtidos a partir do saldo entre admissões e demissões. Em pleno momento de aquecimento do setor, a pesquisa revela uma redução de 2.312 postos de trabalho de mestres de obras no Brasil. Por outro lado, a função de servente de obras teve saldo positivo de 153.204 durante mesmo período (veja quadro).
A pesquisadora Karla Cristina da Costa Braz, uma das coordenadoras da pesquisa, acredita que o servente de obras tem um saldo maior por conta da falta de mão de obra para suprir as demandas do setor. "As empresas hoje estão reclamando que está faltando mão de obra no setor, e justamente o servente e o pedreiro são os postos mais ofertados", explica. O estudo ainda informa que neste ano o setor fechará com 180 mil empregados com carteira assinada, número superior ao índice de 2009, que teve 177.185 trabalhadores contratados.
Ocupações que mais geraram postos de trabalho na construção
Ocupações que mais reduziram postos de trabalho na construção
CURTAS
Fabricante amplia produção A fabricante de tubos e conexões Amanco anunciou que vai investir R$ 200 milhões em 2010 para aumentar a capacidade de produção das fábricas em 20%. Os recursos também serão utilizados para o desenvolvimento de novos produtos, para a melhoria da comunicação da marca e capacitação de profissionais do setor da construção civil.
Agência de Investimentos A Adit criou uma Agência de Investimentos com a finalidade de facilitar o processo de captação de recursos para os projetos imobiliários no Brasil. Em anúncio do vice-presidente da empresa, Sílvio Bezerra, foi explicado que a proposta surgiu para agilizar os aportes dos fundos de investimentos estrangeiros que chegam ao País nas empresas de construção.
Oficina de licenciamento No final do mês de maio, foi organizada pela Câmara Técnica de Sustentabilidade e Meio Ambiente da Copa a Primeira Oficina de Licenciamento Ambiental dos Empreendimentos Prioritários. O evento reuniu integrantes da Câmara Técnica e representantes municipais, estaduais e federais que debateram o processo de licenciamento ambiental para as obras do acontecimento esportivo. Até agora, foram aprovados 86 projetos, sendo 53 de mobilidade urbana, 14 para aeroportos, 12 para obras nos estádios e sete para portos.
Consulte a íntegra do Estudo Setorial da Construção Civil, feito pelo DIEESE.
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