| Normas, galinhas e raposas
A notícia sobre a mudança do escopo de tarefas do CB-02 (Comitê Brasileiro de Construção Civil), divulgada recentemente pelo Conselho Deliberativo da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), deixou alguns construtores e peritos de cabelo em pé. O CB-02 não será mais responsável pela normalização de requisitos gerais referentes a produtos, componentes e/ou materiais utilizados em edificações.
Esse processo será objeto de Comitês Técnicos específicos. "É como colocar a raposa para tomar conta do galinheiro", disse um perito em referência ao fato de os comitês técnicos, em geral, acabarem "dominados" por profissionais oriundos das indústrias fabricantes de materiais de construção. Uma crítica dos construtores deve-se ao fato de a decisão ter sido tomada apenas pela ABNT, sem consulta às entidades de classe ou ao CB-02.
Para inglês (não) ver
Indagado sobre a qualidade da apresentação de projetos imobiliários por empresários brasileiros, o diretor de uma empresa de investimento europeia que esteve no Brasil por alguns dias para reuniões de negócio, afirmou: "dos encontros que tive com incorporadores brasileiros, nada foi muito produtivo". O diretor de uma agência de investimentos, que intermediou algumas conversas com executivos brasileiros, confessou: "Diante do despreparo dos empreendedores em apresentarem projetos imobiliários, vai ser difícil convencer esse investidor a voltar para uma rodada de negócios como essa, novamente".
Aprovação metálica
A reclamação é recorrente. Arquitetos e construtores têm encontrado muita dificuldade em obter a aprovação da Caixa Econômica Federal para construírem projetos de habitação popular edificados com estruturas metálicas. O motivo seria o despreparo dos técnicos avaliadores do banco em avaliar o sistema. "Fui até convidada pela Caixa para dar um curso sobre construção industrial para eles", disse a diretora de um escritório de arquitetura de São Paulo. Segundo ela, "os técnicos da Caixa desconhecem totalmente o sistema".
Bate-estaca
Pechincha Uma auditora de obras afirmou ter ficado espantada ao identificar, na planilha de incorporadoras, a discrepância de valores entre os preços de tabela dos imóveis e os preços efetivamente pagos pelos clientes. Segundo ela, o intervalo de valores chega a até 30%. Significa que para um mesmo imóvel, lançado com preço de R$ 600 mil, por exemplo, dois compradores podem ter assumido investimentos com diferença de até R$ 180 mil.
Cursos de Real Estate Fábio Xavier, associado da butique de fusões e aquisições Singular Partners, defende a criação de cursos de Real Estate para preparar o mercado imobiliário no relacionamento com o mercado financeiro internacional. "O Brasil ficou muito tempo para trás comparado a outros países em termos de formação de pessoas alinhada às práticas internacionais. Mas houve um fluxo de capital muito grande nos últimos quatro anos e os empresários brasileiros ainda não conseguiram se adequar aos moldes. Faltam cursos de pós-graduação e MBAs em Real Estate." O assunto já havia sido apontado e debatido, no início do ano, pelo Comitê de Mercado do Núcleo de Real Estate da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.
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