Estudo da discórdia

Órgãos do governo não se entendem sobre autoria de documento que afirma que aeroportos não ficarão prontos para Copa de 2014 |
A informação divulgada em estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), de que nove aeroportos não ficarão prontos a tempo da Copa de 2014 causou mal-estar na Infraero (Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária). Ao saber da pesquisa, a Infraero disse desconhecer os métodos utilizados e alegou não ter sido consultada. Dias depois, por meio de sua assessoria, disse que não irá mais se pronunciar sobre o assunto “Copa do Mundo”, que ficará a cargo da recém-criada Secretaria de Aviação Civil.
O Governo chegou a contestar o estudo e o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, disse que a informação é de um pesquisador do órgão, que “juntou recortes de jornal e resolveu se pronunciar”. A assessoria de imprensa do Ipea disse que os responsáveis pelo estudo não estão autorizados a falar e que “os métodos utilizados na pesquisa estão disponíveis para quem quiser tirar suas próprias conclusões”.
Pé no chão
Investidores estrangeiros que participaram do ADIT Invest, evento do setor imobiliário e turístico que aconteceu em maio, em Fortaleza, estão ávidos a ampliar investimentos no Brasil, considerado por muitos a primeira e melhor opção entre os emergentes. No entanto, para o representante brasileiro de uma rede internacional de hotéis, as expectativas dos estrangeiros são exageradas. “Para altos retornos é preciso grandes riscos, e o Brasil não é mais um país de grandes riscos”, argumenta. Luiz Henrique Lessa, presidente da ADIT (Associação para o Desenvolvimento Imobiliário e Turístico do Brasil), discorda e garante que os investidores estão mais criteriosos. “Buscam projetos com retorno de 25% a 30%. Isso é factível.”
Plano de salários para o PAC
Empresários e fontes ligadas ao Crea afirmam que o Governo Federal se reuniu com dirigentes de empresas e lideranças sindicais, principalmente da CUT (Central Única dos Trabalhadores) e da Força Sindical, para discutir a padronização de salários e benefícios em engenharia. O objetivo é impedir novas greves em obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), como as ocorridas nas obras da futura usina de Jirau.
| BATE-ESTACA |
Risco certo
Consultada pela reportagem da Construção Mercado sobre os principais erros das construtoras e incorporadoras na área tributária, uma fonte especializada em tributação na construção civil foi taxativa: “O que mais vejo por aí não é erro, é sonegação mesmo”. A fonte afirma que tem visto até incorporadoras de grande porte se expondo a um enorme risco de autuação ao optar por táticas arriscadas para tentar reduzir a carga tributária. “Tentei alertar uma dessas empresas, mas eles disseram que sabiam desse risco e mesmo assim escolheram aquela estratégia.”
Quem não deve, não teme
Em resposta à mesma pergunta, outras fontes questionaram a reportagem quanto à possibilidade de matérias sobre o tema chamarem a atenção do Fisco para as empresas do setor. O receio é tanto que um advogado relutou em conceder a entrevista sob a seguinte justificativa: “Será que uma matéria desse tipo, na verdade, não fomenta a briga em vez de divulgar uma notícia positiva? Minha atividade é fazer com que as pessoas entrem em acordo, e quando se faz esse tipo de matéria... bem... fiscal também lê jornal”.
Autonomia centralizada
Durante o ADIT Invest 2011, evento voltado para o mercado imobiliário e turístico, um construtor cearense se queixou abertamente das travas no relacionamento entre as grandes incorporadoras e as pequenas e médias empresas locais. “Em alguns casos, a central das decisões dessas empresas grandes fica em São Paulo, e o diretor regional é um rapaz de 26 anos com autonomia zero para decidir as coisas”, protesta o empresário. “Nós temos metas para cumprir, orçamento para cumprir. É muito importante que as decisões sejam descentralizadas da matriz.”
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