Painel de mercado SindusCon-SP faz 70 anos e novo presidente toma posse
Tomou posse no dia 13 de setembro o novo presidente do SindusCon-SP, João Claudio Robusti (à esquerda). A cerimônia realizada no Buffet Torres foi precedida pela exibição de um vídeo institucional sobre os 70 anos da entidade. Ex-presidentes e diretores relembraram momentos importantes da história do sindicato e suas conquistas. A projetista de estruturas Maria Noronha falou dos difíceis anos em que materiais básicos como o cimento e o aço precisavam ser importados.
Júlio Capobiano, presidente entre 1983-1992 relembrou a criação das Sipat-s (Semana Interna de Prevenção de Acidentes de Trabalho) e a expansão das regionais em todo Estado. Em seu discurso de posse, João Claudio Robusti destacou como metas trabalhar por maior representatividade para o setor, articular esforços institucionais, promover a valorização das empresas e lutar pela desoneração tributária e desburocratização.
Robusti lembrou ainda a importância dos projetos que criam as parcerias público-privadas e a necessidade de impedir o desvirtuamento do que chamou uma "excelente criação". No plano estadual, pediu que o Governo reassuma o compromisso de destinar um ponto percentual da arrecadação para os programas habitacionais. Veja na página 18 entrevista completa com o novo presidente.
Cai participação de investimentos públicos na construção
A fatia de investimentos públicos na construção diminuiu no período entre 1996 e 2002. De acordo com a PAIC (Pesquisa Anual da Indústria da Construção) 2002, divulgada em agosto pelo IBGE, as construções públicas respondiam em 1996 por cerca de 60% das obras do País. Em 2002, esse valor caiu para 52,4%. O estudo mostrou também que cresceu a participação das pequenas e médias empresas (até 500 funcionários) no segmento da Construção Pesada - de 89,9% para 92,6%.
Congresso de Engenharia de Custos no Rio de Janeiro
O Ibec (Instituto Brasileiro de Engenharia de Custos) e a PINI estão divulgando o 3o Congresso Ibero-Americano de Engenharia de Custos, que acontecerá entre os dias 4 e 6 de novembro. O evento será realizado no Rio Centro, paralelamente à feira Construir. Serão abordados no congresso assuntos relacionados a estimativas de custos, licitações e contratos, orçamento, planejamento, controle e gerenciamento de obras. Destaca-se a discussão acerca dos novos conceitos de BDI. O congresso é um evento preparatório para o Congresso Mundial de Engenharia de Custos, que acontecerá no Brasil em 2008. Os interessados em apresentar seus trabalhos deverão inscrevê-los por e-mail (ibec@ibec.org.br) ou no site do Ibec (www.ibec.org.br) até o dia 15 de outubro. A programação prevista deve seguir o seguinte cronograma:
Reforma do Mercado de São Paulo
Foi entregue em agosto a primeira etapa da reforma do Mercado Municipal de São Paulo. As obras, iniciadas em agosto de 2003, incluíam a construção e a readequação de cerca de 8 mil m2 de área. Entre as principais intervenções estão a construção de um mezanino de 2 mil m2, a reforma da rede elétrica e hidráulica do edifício, a construção de dependências no subsolo, a revitalização do Salão de Eventos - que era utilizado como estoque e como vestiário improvisado dos funcionários - e a reforma da fachada e das coberturas.
O mezanino, onde funcionarão oito restaurantes, é servido por escadas rolantes, escada comum e dois elevadores panorâmicos. Para manter a iluminação nos corredores inferiores, há sete vãos de piso fechados por vidros laminados temperados. Na infra-estrutura do prédio, as redes elétrica e hidráulica passam agora por galerias em concreto pré-moldado, facilitando a manutenção. No subsolo, foram construídos sanitários, vestiários, refeitório, fraldário e enfermaria. A fachada recebeu uma pintura na cor original e possui nova iluminação.
Instituto de Engenharia e PINI Serviços de Engenharia apresentam metodologia para composição do custo direto e BDI
A seção Expertise desta edição, na página 46, traz a íntegra do documento-base apresentado no seminário "BDI - Soluções e Rumos", promovido pelo Instituto de Engenharia e PINI Serviços de Engenharia com apoio da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), realizado no dia 10 de agosto.
Resultado de um trabalho desenvolvido por técnicos das duas instituições promotoras do evento, o documento é uma metodologia para o cálculo do orçamento de edificações públicas de modo a contemplar todos os custos incorridos no BDI de forma criteriosa. "Com a economia estabilizada, a maior competitividade e as margens de lucro das construtoras cada vez menores, é preciso que haja mais seriedade e maior controle no cálculo do BDI", comenta Celso Ragazzi, diretor da PINI Serviços de Engenharia.
O texto é apresentado de forma didática e traz explicações dos cálculos de todos os itens bem como de aspectos que ainda geram dúvidas como, por exemplo, quais os tópicos que compõem os custos diretos. "Esses conceitos ainda são desconhecidos da grande maioria e são calculados, assim como o BDI, sem qualquer respaldo técnico", afirma Maçahiko Tisaka, relator do projeto.
O método apresentado propõe a inclusão de itens complementares como transporte, refeições e equipamentos de proteção individual (EPIs) no cálculo de encargos sociais.
Outra sugestão do trabalho é inserir na planilha orçamentária todas as despesas de administração local e considerá-las como custos diretos. "Administração local é classificada contabilmente como custo direto, portanto, não deve fazer parte da composição do BDI", explica Tisaka. Para o relator do projeto, deve-se também discriminar despesas com instalação de canteiro, acampamento, mobilização e desmobilização dos equipamentos.
Outras propostas são a inclusão no cálculo do BDI de uma taxa de risco do empreendimento nos contratos de empreitada por preço unitário, fixo, global ou integral, e uma taxa de custo financeiro quando o prazo de pagamento das medições for superior a dez dias (conhecida também como "eventuais"). Além disso, o texto sugere a inserção de alíquotas e taxas dos tributos do regime de Lucro Presumido no cálculo do BDI, independente da opção contábil, bem como o desdobramento da taxa de benefícios em lucro e despesas de comercialização. A idéia do trabalho foi encampada pelo Instituto de Engenharia a partir de uma preocupação manifestada pela Apeop-SP (Associação Paulista de Empresários de Obras Públicas) quanto aos problemas que os cálculos errôneos ou incompletos estão causando às construtoras. "É praxe dos órgãos públicos propor a diminuição cada vez maior do BDI sem nenhum critério e as empresas se autoflagelarem ao realizar obras nessas condições", lamenta Luciano Amadio Filho, vice-presidente da Apeop-SP.
O próximo passo, de acordo com informações do Instituto de Engenharia, é demonstrar aos órgãos públicos a funcionalidade e os benefícios de um trabalho bem fundamentado, pois a falta de critérios para o cálculo do BDI implica prejuízos ao fornecedor e também ao contratante, que pode ter sua obra parada, atrasada ou recebê-la com má qualidade.
"Essa metodologia não pretende aumentar nem diminuir os custos, mas se chegar ao preço justo e correto já que é um processo matemático e chega o mais perto possível de um cálculo científico", afirma João Ernesto Figueiredo, vice-presidente da entidade. "Queremos que se entenda que o menor preço não é necessariamente o melhor", completa.
A Apeop apóia a idéia e está preparando uma agenda de reuniões com os contratantes públicos de São Paulo para apresentar o trabalho. Pretende ainda mobilizar outras entidades representativas do setor e desenvolver comissões de trabalho para orientar a todos os interessados no cálculo das composições de custos. "Acho que chegou o momento em que as empresas e contratantes têm de se unir para não matar a engenharia nacional", finaliza Amadio.
Para consultas e informações sobre o trabalho, acesse o site do Instituto de Engenharia: www.ie.org.br ou envie e-mail para: bdildi@ie.org.br