Edifício Mundo Apto, da construtora Setin, que recebeu madeiras certificadas
Construtoras passam a exigir certificação dos fornecedores Madeira certificada em alta O mercado de madeira certificada está se fortalecendo na construção civil, setor responsável pela maior parte do consumo de madeira amazônica. As construtoras paulistas Setin e Tecnum, por exemplo, têm avaliado quais de seus atuais fornecedores trabalham com esse tipo de material para iniciar as compras ainda neste ano.
A Setin, voltada para empreendimentos residenciais, comprou de janeiro a setembro 100 m3 de compensados para lajes e vigas, e pretende comprar de 300 a 500 m3 de madeira bruta certificada em 2007, para uso em andaimes e tábuas.
Já a Tecnum, que atua na área comercial e residencial em São Paulo, pretende iniciar as compras do material ainda este ano. O primeiro passo será verificar quais de seus atuais fornecedores já são certificados.
No longo prazo, o novo comportamento das construtoras pode mudar o perfil da área de madeira certificada no Brasil. Estima-se que hoje mais de 80% da produção nacional de madeira com selo verde é vendida para países europeus, apesar de o Brasil ser o sexto maior produtor mundial, com uma área de 3,6 milhões de hectares de florestas certificadas com o selo FSC (Forest Stewardship Council). O motivo é o interesse restrito no mercado interno, onde apenas o setor moveleiro tem utilizado o material, como a Etel Carmona e a rede Tok Stok.
Masisa planeja terceira fábrica no Brasil
A Masisa, fabricante chilena de produtos de madeira controlada pelo GrupoNueva, vai construir em Montenegro, a 58 km de Porto Alegre, a terceira unidade industrial no Brasil junto com a fábrica de dimensões semelhantes que já está em construção no Chile e deve começar a operar em maio ou junho de 2007. A linha gaúcha será a maior em produção de chapas de MDF (fibras de média densidade) da empresa, com capacidade de 350 mil m3/ano, o equivalente a 297,5 mil t.
Segundo o diretor geral da empresa no Brasil, Jorge Hillmann, a unidade exigirá investimentos de US$ 90 milhões. As obras devem ser iniciadas em quatro meses, após a liberação das licenças ambientais, e começará a funcionar 18 meses depois. Cerca de 250 pessoas irão trabalhar na fábrica. Além do Chile, Argentina e Brasil, a empresa tem fábricas na Venezuela, México e Estados Unidos.
PSQ reforçado
A Abal (Associação Brasileira do Alumínio) acaba de aderir ao Programa Setorial da Qualidade de Esquadrias de Alumínio (PSQ), na condição de co-gestora junto com a Afeal (Associação Nacional de Fabricantes de Esquadrias de Alumínio). Na prática, a iniciativa levará as indústrias de perfis de alumínio extrudado a submeterem a ensaios suas linhas e sistemas. A homologação dos produtos junto ao PBQP-H abrirá caminho para que os fabricantes de esquadrias, principalmente de caixilhos especiais, participem do PSQ. Os presidentes da Abal, Luis Carlos Loureiro, e da Afeal, Roberto Papaiz, comemoram a decisão.
A percepção da necessidade de integrar os mercados de alumínio e esquadrias partiu dos membros do Comitê da Construção Civil da Abal. Ambas pretendem trabalhar para que todos os extrusores associados, assim como os sócios da Afeal, participem do PSQ.
Primeiro dique seco do País
A construção do primeiro dique seco do País, que permitirá o reparo de plataformas de petróleo semi-submersíveis, foi confirmada pela Petrobrás. A obra, que será realizada pela WTorre Engenharia, tem a dimensão de quatro campos de futebol e será erguida na cidade de Rio Grande (RS).
O terreno da proposta vencedora oferece alguns elementos diferenciados, como a natural profundidade do canal, que tem cerca de 16 m, e as condições únicas de logística e transporte multimodal.
O Dique Seco da Petrobrás deve ser concluído em 14 meses e custará R$ 222,89 milhões. Nas negociações finais, o Estaleiro Rio Grande aumentou sua participação financeira no empreendimento de 15 para 20%, reduzindo os custos para a Petrobrás.
Combate à burocracia
Amcham lança força tarefa para, entre outras ações, agilizar emissão de Certidões Negativas de Débito
Roberto Pasqualin, presidente da Força Tarefa de Tributação da Amcham (Câmara Americana de Comércio para o Brasil)
Em setembro último, empresários de diversos setores se reuniram sob a chancela da Amcham (Câmara Americana de Comércio para o Brasil) para criar a Força Tarefa de Tributação, que conta com 42 entidades participantes. O objetivo é diminuir a burocracia tributária no País. Para tal, foram definidas medidas consideradas de fácil execução. A principal delas é flexibilizar a emissão de CND (Certidões Negativas de Débitos), documento exigido em processos de licitação, concorrência e aquisição de financiamentos. A seguir, o tributarista Roberto Pasqualin, presidente da Força Tarefa, detalha o assunto.
Por que o acesso às CNDs é tão burocrático?
A legislação é complicada, e isso facilita a ocorrência de erros. A falta de estrutura de atendimento da Receita Federal e Procuradoria da Fazenda também dificulta os trâmites de documentações e regularizações. O sistema, por meio de softwares utilizados pelos órgãos públicos, também não facilita, pois a Fazenda usa um e a Receita outro, que são incompatíveis. Muitas vezes a empresa consegue resolver as pendências na Receita, mas não aparece a resolução no sistema da Receita.
Que medidas o grupo pretende tomar para agilizar e flexibilizar a emissão das CNDs?
Existem três medidas que estamos propondo sejam adotadas pelo governo. São simples e podem ser aprovadas por atos administrativos pela Procuradoria da Fazenda e Receita Federal. A primeira pretende prolongar do prazo de validade das certidões, de 180 para 360 dias. Além de reduzir o trabalho das empresas, a proposta vai beneficiar os órgãos responsáveis pelo processamento das certidões.
Outra medida é fazer um corte nas pendências das empresas. Não é tirar as pendências, mas regularizar as mais urgentes ao solicitar a CND. Hoje, se a empresa tem dez pendências e precisa tirar a certidão, deve antes regularizar a situação. Quando consegue regularizar as pendências e tirar a certidão, aparecem mais pendências. E por aí vai.
Já a terceira medida tem a intenção de suspender o sistema de envelopes nos quais a Receita Federal guarda os esclarecimentos de cada empresa sobre pendências. Só que enquanto os envelopes não são abertos, as situações das empresas não são resolvidas e regularizadas. Hoje a certidão é exigida em praticamente todas as atividades de uma empresa. Portanto, dificuldades na obtenção do documento podem representar prejuízos para as companhias. Havendo uma maior facilidade para funcionários lidarem com os "envelopamentos", as regularizações sairão com mais rapidez e, conseqüentemente, as CNDs.
Há um retardamento ou suspensão de negociações entre empresas devido à dificuldade de se obter a CND?
Sim, existem empresas que perdem inúmeras oportunidades de bons negócios por causa dos atrasos para se obter a certidão. Há inclusive no mercado um estudo realizado pela consultoria PricewaterhouseCoopers, com 117 companhias, que revela que 92,6% dos entrevistados já retardaram ou deixaram de concluir negócios por causa da não obtenção da CND a tempo de finalizar as negociações.
CURTAS
Luxo para poucos A Sispar Empreendimentos Imobiliários e a DMF Construtora e Incorporadora estão lançando em São Paulo o Orizzonte, novo condomínio fechado de casas de altíssimo padrão, na Cidade Jardim. O condomínio terá quatro casas, com preço médio de cada unidade de R$ 4,3 milhões e uma média de 1.000 m2 para cada uma de área total construída.
As residências terão quatro pavimentos, elevador, quatro suítes e piscina particular. As obras devem ser concluídas em novembro do ano que vem.
Segurança nas obras Em outubro passou a vigorar um novo item da NR-18 (norma de segurança na construção civil) que obriga edificações com no mínimo quatro pavimentos, ou altura de 12 m, a possuírem previsão para a instalação de dispositivos destinados à ancoragem de equipamentos de sustentação de andaimes e de cabos de segurança para o uso de proteção individual. Além disso, os pontos de ancoragem devem ser constituídos de material resistente às intempéries. Esses equipamentos e cabos são utilizados nos serviços de limpeza, manutenção e restauração de fachadas.