SindusCon-SP prevê expansão de 4,5% da construção em 2007, com destaque para mercado imobiliário Crescimento esperado Painel de mercado
Durante coletiva de fim de ano realizada em 6 de dezembro, em São Paulo, o SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo) traduziu em números a percepção do mercado. A estimativa da entidade é de que o produto da construção civil tenha crescido 5% em 2006, puxado pelo bom desempenho do mercado imobiliário que tem sido impulsionado pela abundância de crédito e medidas de estímulo do Governo Federal. Para este ano, a entidade prevê expansão de 4,5% no produto da construção, considerando expectativa de crescimento do PIB nacional de 3,5%.
De acordo com a consultora da FGV Projetos, Ana Maria Castelo (foto), a expectativa de crescimento do setor em 2007 é sustentada pelo bom volume de recursos disponíveis para o mercado imobiliário. A entidade estima que o setor receberá em 2007 R$ 10 bilhões do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) e R$ 8,5 bilhões do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) para habitação (outros R$ 2,7 bilhões do Fundo devem ser destinados à área de saneamento), isso sem considerar outras fontes de recursos como securitização e abertura de capital, por exemplo. "Em 2007 sentiremos o impacto positivo de medidas anunciadas em setembro de 2006, como o crédito consignado e a prestação fixa no financiamento imobiliário", afirmou Ana Maria.
Apesar de o produto da construção ter atingido o melhor patamar desde o Plano Real, para o presidente do SindusCon-SP, João Cláudio Robusti, um crescimento forte e sustentado do setor só acontecerá quando uma série de entraves estruturais e burocráticos for destravada. "É preciso atacar a burocracia, a informalidade, os entraves burocráticos e também investir em infra-estrutura", enumerou. Robusti lembrou que o estudo "A Construção do Desenvolvimento Sustentado", elaborado pela FGV Projetos para a União Nacional da Construção, mostra que se nos próximos quatro anos o governo investir anualmente R$ 30 bilhões além do previsto em infra-estrutura o PIB nacional terá acréscimo de 1,3 ponto percentual.
Em 2006, a realidade do segmento de infra-estrutura, no entanto, foi bem distante desse cenário. Segundo a entidade, a União destinou, em 2006, apenas R$ 643 milhões para transportes e R$ 547 milhões para saneamento. Segundo Robusti, os vilões foram a dificuldade na gestão dos recursos - no caso da habitação popular -, além da ausência de um marco regulatório no setor de saneamento.
Massimiliano Fuksas no Brasil
O arquiteto italiano Massimiliano Fuksas esteve no Brasil a convite da PINI Eventos para realizar uma palestra durante o seminário internacional Arquitetura e a Criação de Marcos Urbanos. O evento foi promovido pela revista AU-Arquitetura & Urbanismo, dia 6 de dezembro no Hotel Renaissance, em São Paulo, e teve patrocínio da Munte e da Arcelor. Fuksas, em palestra inédita no Brasil, iniciou sua apresentação abordando a responsabilidade do arquiteto em todas as etapas da obra e discutiu a importância do profissional de arquitetura no planejamento e desenvolvimento das cidades. O público presente - cerca de 300 pessoas, entre profissionais e estudantes - pôde conhecer mais o renomado arquiteto, seu modo de pensar e de fazer arquitetura. Fuksas apresentou seus principais projetos, como o Centro de Pesquisas da Ferrari, em Maranello, Itália; as Twin Towers, em Viena, e o complexo Fiera Milano, em Milão. Além de Fuksas, o seminário contou com as palestras dos arquitetos brasileiros Mario Biselli e Marcelo Ferraz, que apresentaram seus principais projetos.
Ensaios aprimoram esquadrias
Os ensaios em laboratório vêm ganhando espaço em obras espalhadas por todo o País. Um exemplo é o desenvolvimento do projeto dos caixilhos que serão instalados no Bloco A do Pátio Vila Sonia, Linha 4 do Metrô de São Paulo. Contratada pelo consórcio Linha Amarela, a fabricante de esquadrias Epros precisou provar que o projeto original de esquadrias, que previa janelas basculantes, não atenderia às normas técnicas. E ainda pretendia desenvolver solução técnica atualizada, mantendo as características estéticas e funcionais do projeto. A obra exigia ótima iluminação e ventilação, condições a serem asseguradas por 24 t de caixilharia de alumínio anodizado, com vidro laminado de 6 mm, instaladas nas duas fachadas de 160 m de extensão, em alturas diversas, desde o nível zero até, em média, a 1,10 m de altura sobre o peitoril.
O primeiro ensaio com o protótipo, já utilizando o novo sistema, mostrou a necessidade de recalcular a fixação desses montantes, para obtenção da pressão que garantiria total estanqueidade. No teste seguinte, o protótipo foi aprovado. A Epros empregou componentes de mercado, tendo apenas que desenvolver a barra chata, com furações independentes. Os módulos passaram a ser produzidos na fábrica e montados juntamente com os vidros, in loco.
Estudo analisa 12 casos de urbanização de favelas
Pesquisadores da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP) e das universidades Católica de Salvador (UCSAL), Federal de Minas Gerais (UFMG) e Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) analisaram 12 casos de urbanização de favelas no Brasil. E o resultado foi contrário ao pensamento corrente de que a recuperação das favelas é uma iniciativa cara e difícil de ser viabilizada. "O custo por família da urbanização de uma favela varia de US$ 2 mil a US$ 4 mil, enquanto a construção de um empreendimento habitacional não sai por menos que US$ 10 mil", afirma Alex Abiko, coordenador geral do projeto. O problema, segundo Abiko, é a complexidade desse tipo de intervenção. "Projetos tecnocratas, que desconsideram as características da população e que não têm o apoio das lideranças comunitárias, tendem a serem mal-sucedidos."
Os resultados preliminares do estudo foram apresentados no dia 24 de novembro em São Paulo durante o "Workshop Urbanização de Favelas", na Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo). A origem do workshop é o "Projeto Refavela", que está inserido no Programa Habitare, da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos). O próximo passo da iniciativa será a compilação do material em um guia de urbanização de favelas.
Alvenaria reforçada
Belgo Bekaert lança treliça para aumentar resistência de paredes de alvenaria divisórias, estruturais e de vedação
A Belgo Bekaert realizou no dia 21 de novembro, na sede do Secovi em São Paulo, a apresentação no Brasil do Murfor, uma treliça para reforço de alvenaria que pode ser definida como uma armadura pré-fabricada composta por dois varões de aço paralelos, unidos por pontos de soldadura a um terceiro sinusoidal (ver foto). A apresentação coube ao engenheiro Pol Timpermann, que estuda o assunto há mais de duas décadas. Baseado em estudos realizados por universidades da Polônia, Alemanha, Suíça, Portugal e outros países, Timpermann comprovou a capacidade do produto em aumentar a resistência à tração e compressão em paredes que empregam o reforço. As principais aplicações do Murfor são em vãos de portas e janelas, que com o reforço podem prescindir de elementos pré-moldados de concreto para formar as aberturas. Não é por acaso, o maior número de patologias verificado em fechamentos de alvenaria deve-se a ações de forças junto aos vãos de portas e janelas. O Murfor também é recomendado para aplicação em paredes de grandes dimensões, divisórias, estruturais e de vedação. Outro palestrante, o mestre em Engenharia de Estruturas Roberto de Araújo apresentou estudo de caso da utilização de produto similar no Brasil (telas galvanizadas) e comparou os resultados no desempenho das alvenarias. Otávio Nascimento, mestre em ciências dos materiais e professor da Fumec-MG, mostrou os ensaios realizados no Brasil e três obras em andamento. O evento contou com a participação de cerca de 100 convidados, entre construtores, projetistas, pesquisadores, Institutos e Associações de Engenharia, revistas especializadas e representantes da Belgo e Bekaert.
CURTAS
Megaloja de ferramentas em SP Resultado de um investimento de cerca de R$ 11,5 milhões, a empresa gaúcha Ferramentas Gerais (FG) inaugurou em São Paulo uma loja de ferramentas, máquinas e suprimentos industriais. A nova loja ocupa 5,1 mil m2 e o complexo de atendimento inclui auditório, salas de treinamento e estacionamento para 150 veículos, entre outras facilidades.
Visita monitorada à Bauma 2007 A SH Fôrmas está montando uma missão empresarial para a Bauma 2007, que acontece de 23 a 29 de abril, na cidade de Munique, Alemanha. A iniciativa conta com o apoio da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland), Abece (Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural), Comunidade da Construção e diversas unidades do Sinduscon. Para mais informações: 0800 282 2125 ou bauma@azviagens.com.br.
Supersimples aguarda sanção presidencial Depois de ser aprovada em 22 de novembro pela Câmara dos Deputados, a Lei Geral das Micro e Pequenas empresas aguarda a sanção presidencial, o que não havia ocorrido até o fechamento desta edição. A lei prevê um regime tributário diferenciado para as empresas com faturamento de até R$ 2,4 milhões por ano. As alíquotas variam de 4 a 11,61%, dependendo do faturamento da empresa, com acréscimos para as indústrias e para as empresas do setor de serviços. A lei deve passar a vigorar a partir de 1. de julho.