Editorial O Brasil tem chances de experimentar forte crescimento nas obras de infra-estrutura nos próximos anos.
É o que prometem os idealizadores do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) do Governo Federal. A notícia não poderia ser melhor para uma área que não conhece investimentos públicos de vulto há décadas. Fortalece, entretanto, a necessidade premente de a sociedade discutir formas de balancear o critério de menor preço com outros que privilegiem a excelência técnica nas licitações de obras públicas. Nesse contexto, o trágico acidente na Linha 4 (Amarela) do Metrô paulistano, que matou sete pessoas em janeiro, serve de reflexão. Como diz o engenheiro Maçahico Tisaka em artigo nesta edição, não se trata de um fato isolado. Tem raízes no processo de degradação da engenharia nacional, desencadeado, em boa parte, por uma lei de licitações que pune a capacidade técnica da engenharia nacional. Tanto que os mais críticos acreditam que a atual forma de contratação das obras públicas pode comprometer o esforço de crescimento com obras de baixa qualidade, manutenção elevada e riscos de sinistros. O problema tem sido discutido há anos por diversas entidades da indústria da construção e esbarra na desmedida pressão do Poder Público pela redução de custos em detrimento da valorização técnica. Aos profissionais e entidades setoriais que ganharam mais visibilidade na mídia com o desabamento no Metrô, cabe levantar o tema. Não se trata de oportunismo, mas de comprometimento de uma classe que, muito além de melhor remuneração, busca qualidade, reconhecimento e condições para avançar. E quem ganha com isso é toda a sociedade, que será beneficiada com obras mais seguras, duráveis e de melhor qualidade. Afinal, como observa em artigo nesta edição o professor Waldemar Hachich, "a qualidade tem preço muito inferior ao preço da falta de qualidade".
Editorial Como balancear os critérios do menor preço com a excelência técnica nas obras públicas?