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Construções sem carbono
Quais as metas das construtoras nos canteiros para reduzir emissões

Já existe uma forte preocupação com a sustentabilidade na construção. Mas o setor ainda não sabe como controlar das emissões de gases que contribuem para o efeito estufa (GHG), liberados na produção de empreendimentos. Veja as sugestões.
Construção contribui para efeito estufa?


Por Mirian Blanco

Construção mercado 71 - junho 2007
Construções sem carbono
Qual o volume de gás carbônico emitido em uma construção predial? A pergunta, se feita hoje a qualquer construtora ou incorporadora brasileira, provavelmente ficará sem resposta. O controle das emissões de gases de efeito estufa (GHG) liberados em empreendimentos do setor de construção civil, apesar da forte contribuição dessa indústria para o aquecimento global, ainda é incipiente no Brasil.

Enquanto em países como Inglaterra e até mesmo Estados Unidos - nação que responde por 36,1% do total mundial de emissões e se nega a proceder à ratificação do Protocolo de Kyoto -, alguns governos estaduais já estabelecem metas de neutralização para o segmento e oferecem incentivos e facilidades na concessão de crédito às empresas que adotarem práticas de redução dos gases GHG, no Brasil a situação é bem diferente. Por aqui, ainda falta clareza sobre como as construções atuais terão de se ajustar para enfrentar as novas condições climáticas provocadas pelo aumento da temperatura do planeta.



Francisco Vasconcellos, vice-presidente do SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo), diz que, em geral, as poucas empresas brasileiras compromissadas em minimizar os impactos ao meio ambiente estão adotando ações de uso sustentável dos recursos naturais, mas não de quantificação e controle dos particulados de carbono, principal fator do efeito estufa. "Existe hoje uma preocupação extremamente válida e fundamental do setor no que diz respeito à sustentabilidade - e isso já é um avanço muito grande, mas desconheço políticas concretas e sistemáticas de controle ao aquecimento global."

Paulo Braga, da consultoria Max Ambiental, concorda. Segundo ele, "já há construtoras que estão se diferenciando ao adotar processos de redução do consumo de energia, mas ainda não se sabe o quanto dessa economia tem se revertido em diminuição dos volumes emitidos de gases derivados da queima de combustíveis fósseis". Isso porque, apesar de grande parte da matriz energética brasileira ser limpa, ou seja, advinda de hidrelétricas, há uma porcentagem, inclusive consumida pelo setor comercial, que advém de termelétricas movidas a gás natural, sabidamente poluente.


Potencial para reduzir

Apesar do desconhecimento sobre as reais proporções dos impactos à camada atmosférica causados em cada obra levantada em solo brasileiro, a parcela de responsabilidade do setor de construção civil, em nível global, já é conhecida. E não é pouca. Segundo o relatório "Construções e Mudanças Climáticas: Status, Desafios e Oportunidades", lançado recentemente pelo Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas (Unep, na sigla em inglês), o segmento tem potencial para reduzir 1,8 bilhão de t de dióxido de carbono ou quase três vezes a quantidade pretendida pelo Protocolo de Kyoto.

O estudo mostrou que mais de um quinto do consumo de energia elétrica e mais de 45 milhões de t de CO2 poderiam ser economizados por ano até 2010 com a aplicação de medidas mais ambiciosas para prédios novos e já existentes. A agência Internacional de Energia estima que só com a substituição das lâmpadas incandescentes para as compactas fluorescentes pouparia, em 2010, 470 milhões de t de monóxido de carbono.

Mas diante do grande desafio revelado à cadeia da construção, o que cabe às construtoras e incorporadoras? De acordo com Vanderley John, pesquisador da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo e um dos autores da Agenda 21 de Construção Sustentável para os países em desenvolvimento do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, a responsabilidade passa por três aspectos.

O primeiro deles trata do controle da emissão de poluentes de máquinas, equipamentos, veículos e tratores utilizados no canteiro de obras. Outro fator atribuído às empresas refere-se à compra de materiais e insumos, como cimento, cal, além de tintas, adesivos e produtos industrializados em plástico e madeira à base de complexos orgânicos voláteis. Nesse quesito, John adverte que é preciso avaliar tanto o tipo do material e a possibilidade de otimização e redução de seu uso, como também o perfil do fornecedor.

Segundo ele, estudos mostram que o volume dos gases emitidos durante a produção de um mesmo insumo difere drasticamente a depender da empresa que o produz. Nessa escolha, é preciso avaliar, ainda, a distância da companhia contratada, uma vez que o transporte de materiais da fábrica para a obra também entra na conta do carbono.

O último aspecto e, talvez, o mais aplicado nas empresas brasileiras compromissadas com a sustentabilidade, diz respeito à projeção e construção de empreendimentos que favoreçam o uso racional de energia elétrica durante seu tempo de uso. Isso porque se estima que 80% do custo de energia (bem como água, esgoto e manutenção) de um prédio se dá durante o período de uso e manutenção.


Embalagens e madeira: resíduos que a construção ainda não manipula bem

Recomendações sustentáveis

Aumentar a área de iluminação natural da casa ou do prédio, implantar janelas grandes, com persianas, e permitir a proteção da luz do sol através de brises externos (em vez de persianas) podem ser medidas simples de redução do consumo de luz elétrica durante o dia e de melhoria da ventilação. Cortinas de vidro nas fachadas não são recomendadas porque aumentam muito o consumo de ar-condicionado, que representa 40% do consumo total de energia de um edifício, e a instalação de mecanismos de controle desses equipamentos, como BTU-meter ou sensores de presença, podem ser diferenciais.

Os engenheiros consultados também recomendam a adoção de luminárias de alto rendimento, ou seja, com baixo consumo de energia e alta capacidade de iluminação, além da presença de sensores de luz setoriais nas áreas comuns de um edifício. Algumas construtoras também estudam a instalação de geradores de emergência à base de biocombustível - em grandes empreendimentos comerciais que precisam de um sistema de backup de eletricidade.

É por isso que, como defende Geraldo Soares, a eficiência ambiental e redução de consumo são, em geral, controlados por decisões de projeto. Segundo ele, "as possibilidades de melhoria do desempenho e da ecoeficiência de um edifício na fase de uso e operação são mínimas e precisam ser concebidas já no planejamento", diz. Para ele, a otimização do tempo de uso dos empreendimentos também é determinante, porque evita futuras demolições, e deve ser pensada para além da legislação vigente, que estabelece um prazo de 50 anos.

Para garantir a manutenibilidade do edifício em quaisquer circunstâncias e a possibilidade de sua modernização, Luiz Henrique Ceotto, diretor da Tishman Speyer do Brasil, recomenda que o vão entre pilares tenha no mínimo 10 m para edifícios comerciais e 6 m nos residenciais. O pé-direito de casas deve ter, pelo menos, 2,60 m, e os comerciais, 2,70 m, sendo que nesses é necessário, segundo ele, que o piso elevado tenha altura mínima de 15 cm e 50 cm livres no entreforro (abaixo da estrutura e acima do forro). Em artigo publicado na revista do SindusCon-SP, Ceotto afirma que essas premissas podem garantir "a possibilidade de adaptações e reúso para fins diversos dos que foram concebidos, evitando-se com isso sua demolição e o conseqüente gasto de energia, recursos naturais e novas emissões de gás carbônico na sua construção".

Medidas semelhantes estão sendo adotadas, em menor ou maior grau, em construtoras de alto padrão, entre elas Even, Setin, WTorre, Hochtief, BKO e Tishman Speyer do Brasil, como pode ser visto em destaque. Mas para Luiz Ceotto, a adoção generalizada desses preceitos, por parte do mercado, só virá se houver regras governamentais mais rígidas. Para ele, a tendência é que os Estados apertem as regras do jogo forçando as empresas a se adequarem, como acontece em outros países.


Incentivos

Lá fora, percebendo que mudanças simples nos processos de gestão das construtoras podem evitar investimentos governamentais maciços em infra-estrutura, as administrações oferecem incentivos às construtoras. No Brasil, essa tendência começa a aparecer. O decreto no 27.595, de 14 de fevereiro de 2007, da Prefeitura do Rio de Janeiro, estabeleceu que as novas obras prediais acima de três pavimentos, licenciadas pelo órgão, deverão prever compensações para garantir um efeito-carbono zero.
O projeto está em fase de regulação e a definição do escopo das responsabilidades das construtoras ainda está sendo estudada. A idéia da prefeitura é criar um modelo de avaliação em que o gestor possa, de forma prática, averiguar o volume médio das emissões de seu empreendimento por tipo de obra.


Setin: 12 mil m2 de piso de concreto demolidos e transformados em blocos no próprio canteiro

Em São Paulo, já é obrigatório que os lotes, edificados ou não e com área impermeabilizada superior a 500 m2, tenham reservatórios para a acumulação das águas pluviais. O objetivo é que as caixas de retardo diminuam o impacto de enchentes e reduzam a necessidade de instalação de sistemas na rede pública. O problema é que apesar de estabelecer a necessidade de armazenamento da água das chuvas, a lei não diz como fazer isso e nem pressupõe medidas de tratamento. Como questiona Francisco Vasconcellos, do SindusCon-SP, "e se alguém tomar essa água de reúso e passar mal, a construtora vai ser incriminada?".

As leis de mercado e a presença de multinacionais também tendem a forçar o mercado a melhorar suas técnicas. Na opinião de Octávio Pires, gerente da área de consultoria técnica da Cushman & Wakefield, consultoria especializada em responsabilidade ambiental para o setor imobiliário, os empreendimentos que não adotarem métodos de redução dos impactos ambientais, incluindo emissão de gases, tendem a ficar obsoletos, serão desvalorizados e, se houver uma regulação forte, talvez nem possam operar. "Em alguns Estados de países como Estados Unidos e Europa, a adoção de selos de Greenbuilding ou LEED já começa a ser condição para liberação de licença e, essas empresas, multinacionais, ao virem para o Brasil, também tendem a exigir o mesmo."

Criada pela ONG USGBC - United States Green Building Council, a certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) contempla oito tipos de empreendimentos (desde a manutenção de edifícios existentes à certificação de grandes obras e de escritórios), e é elaborada conforme um sistema de pontuação cumulativa ligado a cinco áreas (desenvolvimento local sustentável, uso racional da água, eficiência energética, seleção de materiais e qualidade ambiental interna). A depender da pontuação, a empresa recebe certificação diferenciada (Certified, Silver, Gold e Platinum).

Pires afirma que o custo de construção de um empreendimento sustentável, e de acordo com as premissas do selo, varia de 1 a 5% do valor da obra, a depender dos objetivos e do tipo de sistemas implantados. A consultoria para implantação dos processos de gestão consome investimentos de R$ 6/m2, segundo Pires. Mas se o custo é maior, a valorização também: de acordo com o consultor, o valor do aluguel de edifícios certificados é, em media, 5% maior do que os não sustentáveis. Na venda, essa proporção chega a 10%. Atualmente, oito projetos brasileiros estão registrados no sistema LEED, mas nenhum deles já foi certificado.


Setin: fornecedores são desafio

Além de ter como diretriz a gestão de resíduos, a redução do consumo de recursos naturais e a separação e reutilização de materiais, a Setin também tem revitalizado antigas fábricas e, assim, preferido sites já ocupados. Foi assim que a construtora, ao decidir montar um empreendimento em uma antiga fábrica na região de Guarulhos, reaproveitou os 12 mil m de concreto do piso do lugar e, em vez de valer-se de uma frota de veículos para transportar o material, optou por moê-lo e usá-lo na fabricação de blocos que alimentaram a própria obra.

"No custo, não houve nem gasto nem economia, mas o ganho ambiental é que cerca de 1.200 caminhões deixaram de ir para a rua, evitando emissão de carbono, e evitamos um novo processo de fabricação de cimento", explica Lucy Mari Tsunematsu, gerente de gestão integrada da Setin. A empresa também faz o controle dos níveis de poluição dos caminhões que entram na obra e de acordo com as escalas de cinza da fumaça, autoriza ou não a entrada do veículo na obra.


Com tecnologia desenvolvida pela NASA, os purificadores Ecoquest reduzem particulados e fumaça por meio de processos de
radioionização e oxidação catalítica

Para reduzir o impacto dos chuveiros elétricos, responsáveis por 32% do consumo de energia elétrica em habitações, a construtora tem investido na adoção de energia solar, fonte de energia limpa e renovável, para aquecer até 60% da água quente consumida em residências e prédios. Os 40% restantes são aquecidos com gás natural. Além disso, a água que sai do chuveiro é tratada e reutilizada em bacias. Lucy calcula que, em 12 meses, essa substituição promova uma economia anual no valor do condomínio de R$ 66 mil para R$ 11 mil, aproximadamente.

Dentre as várias ações da Setin, destaca-se a adoção de sensores de iluminação setorial e de redutores de vazão de água, preservação da mata nativa dos sites construídos em níveis maiores do que os estabelecidos pela legislação e a compensação, com novos plantios, das árvores cortadas. Nas fachadas dos prédios, a empresa descartou o uso de tintas à base de materiais voláteis e prefere pedras naturais coloridas e extraídas em regiões próximas a São Paulo.


Tishman: menos energia por m2

A Tishman Speyer do Brasil estrutura suas ações de sustentabilidade em cinco etapas: redução do consumo de materiais e de energia na produção de bens e serviços, diminuição da emissão de substâncias tóxicas, principalmente o gás carbônico, intensificação do uso de materiais reciclados, maximização do uso de recursos renováveis e prolongamento da vida útil dos produtos. Para cada um desses objetivos, o engenheiro Luiz Ceotto, diretor da empresa, tem uma solução tecnológica na ponta da língua.

De acordo com ele, a empresa vem reduzindo consideravelmente o consumo de energia por metro quadrado de seus prédios por meio de ar-condicionado inteligente (com controles automatizados), fachadas que isolam termicamente o empreendimento e geradores de energia em ponta, de maneira a não consumir energia pública em horas de pico. A emissão de produtos químicos e tóxicos também é controlada. Ceotto afirma que a empresa usa apenas carpetes e materiais de acabamento que não emitem gases tóxicos mesmo quando queimados.

A água consumida pelas torres de resfriamento dos chillers de prédios comerciais, que representam o maior consumo dos edifícios, segundo o engenheiro, advém da coleta da água condensada formada nas serpentinas dos fancoils. Outra medida de contenção do consumo de água é a adoção de chuveiros com consumo máximo de 8 l/m e da instalação de dispositivos de contenção em torneiras de lavatórios e pias. De acordo com Ceotto, as medidas tomadas pela empresa têm resultado em economias de 20 a 30% do consumo de energia e até 70% do consumo de água.


Even: alvo nas embalagens

Na Even Construtora e Incorporadora, primeira no mundo a registrar um projeto na LEED, segundo a empresa, os controles dos processos durante o período de obra são listados dentro do plano de metas dos profissionais e quem atingi-los soma pontos para aumento de remuneração. A construtora tem programas sistemáticos de separação, coleta e reaproveitamento de resíduos sólidos durante a construção e controla a destinação adequada para cada item saído do canteiro.

Mas, por lá, o maior desafio não são os funcionários, mas os fornecedores. "Muitas empresas nem possuem processos sustentáveis, e para implantá-los precisam contratar pessoas, consultorias. Por isso, é preciso que o número de construtoras sustentáveis cresça para forçar os fornecedores a se adequarem e oferecerem produtos a custos reduzidos", diz Silvio Gaza, diretor técnico da Even.

Tendo substituído a maior parte da madeira consumida - com adoção de fôrmas metálicas e plásticas, que depois seguem para reciclagem -, a empresa não apenas decidiu comprar exclusivamente madeiras reflorestadas, como também tem feito um forte trabalho de convencimento, inclusive com indicação de consultorias, para que os fornecedores do insumo adquiram a certificação SFC, arcando com um custo 15% maior.


M.O.R.E, projeto da BKO e conceitos do LEED aplicados à realidade brasileira

Outra dificuldade tem sido convencer muitos de seus fornecedores (de fechaduras e cerâmica, por exemplo) a oferecerem embalagens mais otimizadas (em paletes ou em pacotes), evitando desperdício. Em relação ao consumo de energia durante a construção, a Even também tem experimentado, em um projeto-piloto, adotar chuveiros a gás para os operários, mas a medida ainda traz controvérsias.


WTorre: otimização dos recursos

Há três anos a WTorre vem sofisticando seus processos de gestão e alinhando-os de acordo com padrões internacionais de sustentabilidade. Entre as principais ações provenientes dessa decisão estratégica está a adoção de um programa de qualificação de parceiros, com a certificação de fornecedores e de materiais, além da inclusão de métodos de otimização dos usos dos recursos naturais. Mas, apesar disso, de acordo com a arquiteta Rosa Pezzini, gerente de projetos da WTorre, "como no Brasil, nem mesmo os materiais são padronizados, fica difícil controlar com precisão as emissões de carbono".

Ainda assim, a empresa tem iniciativas concretas na redução de processos que possam favorecer a emissão ou a redução de gases. A WTorre faz o reaproveitamento dos materiais e resíduos oriundos de demolições (como concreto e vidro), utiliza sistemas de setorização de luz e luminárias de alto rendimento, favorece a iluminação natural e zenital nos prédios e até investe em co-geração.

O sistema hidráulico dos empreendimentos da empresa contempla torneiras com controle de vazão, sistemas de tratamento de esgoto para reutilização da água na irrigação de jardins e piscinas para controle e vazão da água da chuva. A empresa também faz a reciclagem do papel e reutiliza resíduos altamente poluentes oriundos da construção, como gesso e concreto, além de corrigir o pH calcário em áreas agrícolas afetadas.


Hochtief: oportunidade de negócio

No último encontro anual dos presidentes das sedes mundiais da multinacional Hochtief, realizado em 2006, a pauta não foi meta de crescimento, nem novos negócios. O motivo estratégico que reuniu os maiores executivos da companhia, dessa vez, foi o aquecimento global. De lá, foram retiradas metas globais para redução dos impactos da empresa à camada atmosférica.

Mas na Hochtief o fenômeno ambiental não tem resultado apenas na implantação de processos de gestão, como controle das emissões de carbono, da erosão do solo, da eficiência no consumo de água, das ilhas de calor dos empreendimentos e da separação, coleta e otimização dos materiais e compra de insumos certificados.

Por lá, o tema traz oportunidades de negócio: "temos uma equipe de engenheiros capacitados e dedicados a pensar sobre as oportunidades de negócios trazidas pelas mudanças climáticas e como a engenharia pode ajudar a sociedade a minimizar os impactos de enchentes, ciclones etc.", diz Andre Glogowsky, diretor presidente da Hochtief Brasil.

André não revela o valor do investimento, as inovações e nem os tipos de produtos que estão sendo projetados, mas diz que os estudos são facilitados por meio de um software chamado Virtual Design and Construction (ViCon), que faz simulações dos procedimentos e projetos de futuras construções em 3D. "Na Hochtief, pensamos como serão as construções do futuro e, a partir disso, nos preparamos, por isso, o aquecimento global é tão relevante para nós", diz.


BKO: escolha pelo verde

Recém-chegada ao mercado de construções sustentáveis, a BKO está concluindo as obras do primeiro empreendimento do M.O.R.E (Movimento Residencial Ecológico), novo projeto da empresa. A idéia surgiu de um desejo dos gestores de aproveitarem a extensa área nativa da região da Chácara Flora para introduzir o conceito de "prédio verde".


A partir daí, a empresa desenhou um complexo residencial em que os impactos da construção ao meio ambiente fossem reduzidos. Entre os principais diferenciais do projeto, destaca-se a preservação das árvores nativas do local (40% foram mantidas, 40% foram transplantadas para outros locais no próprio terreno e as 20% que tiveram de ser eliminadas foram, de acordo com Mário Giangrande, diretor de incorporação da BKO, compensadas com soluções de paisagismo).

A torre do empreendimento é projetada em formato de "y", permitindo que a luz solar incida diretamente em três das quatro faces do apartamento. O projeto também prevê a construção de um telhado ecológico, que em vez de ser impermeabilizado e coberto com cimento, será revestido de terra e grama natural, diminuindo a temperatura do prédio, além da instalação de um jardim e de um quintal, com horta, em cada uma das unidades.

Na próxima empreitada no M.O.R.E, em Alphaville, o conceito irá se sofisticar. A empresa contratou o CTE (Centro de Tecnologia de Edificações), que ficará responsável pela elaboração de um inventário de emissões, a partir do qual a construtora deverá pautar suas ações de neutralização. "Vamos adaptar os conceitos do LEED ao modelo brasileiro e ter o acompanhamento de especialistas na implantação do programa, na fiscalização da obra até a entrega das chaves", diz Giangrande.



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