Editorial Menos culpados e mais ocupados Criticar os "ecochatos"? Colocar a culpa nos outros? Projetar e construir de outra forma? Buscar informações e debater? Explorar como marketing? Fizemos uma enquete online pelo site www.construcaomercado.com.br e essas eram as opções de resposta à pergunta "Qual tem sido a postura de sua empresa em relação à construção sustentável?". Os resultados você confere na página 6, mas antes disso cabe outra pergunta: afinal, o que cada profissional da construção, arquitetura ou engenharia civil tem a fazer em uma conjuntura de aquecimento global com perspectivas cada vez mais preocupantes?
A construção civil é um dos principais destinos da madeira amazônica. O setor consome 40% dos recursos naturais e da energia gerada no País. A atividade de construir envolve uma longa e complexa cadeia produtiva. Tais afirmações são verdadeiras, mas não necessariamente desesperadoras. O setor possui boas perspectivas de ajustes aos novos tempos. O professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, Vanderley John, por exemplo, aposta na formação de um banco de dados sobre ACV (Análise de Ciclo de Vidas) dos materiais, que permitiria escolher materiais de construção que geram menos impacto ambiental. A inclusão da sustentabilidade como requisito central de planejamento, projeto e execução de obras também deve contribuir para livrar a construção civil de mais uma pecha negativa junto à sociedade. Para isso, entretanto, necessitamos de menos culpados, acusadores, vilões, heróis, bandidos e mocinhos e mais gente séria disposta a estudar, analisar e, em especial, praticar a ecoeficiência. Parece inevitável, por exemplo, que a sustentabilidade e a preservação do meio ambiente sirvam como ferramentas de marketing das empresas. Tal apropriação para fins comerciais é típica do capitalismo e difícil de ser neutralizada - pelo menos enquanto a sociedade não é capaz de separar o joio do trigo. O importante, no entanto, é zelar para que essa profusão de novas informações e conceitos tenha um efeito positivo, responsável, e não sirva apenas de base para mais uma onda inócua e sem resultados perenes. A incontestável subida progressiva dos termômetros já não tolera discursos vazios e o oportunismo, por vezes tão freqüente em nossa indústria. É hora de se ocupar com o assunto.