Painel de mercado Convênio para viabilizar 30 mil habitações
Eduardo Gorayeb, diretor presidente da Rodobens Negócios Imobiliários: aposta nas cidades interioranas
Acordo entre Rodobens e Caixa tem o objetivo de ampliar o financiamento de unidades populares Convênio para viabilizar 30 mil habitações Painel de mercado Construção mercado 79 - fevereiro 2008 A Rodobens Negócios Imobiliários e a Caixa Econômica Federal firmaram parceria para aumentar e viabilizar o financiamento, a produção e comercialização de 30 mil unidades residenciais. O valor total das unidades é de cerca de R$ 1,8 bilhão e serão construídas no período de três anos. O convênio faz parte do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) do Governo Federal.
O convênio é voltado para casas de dois e três dormitórios, com metragem entre 37 m2 e 102 m2. O financiamento, de até 30 anos, possui taxas anuais a partir de 6,00% aa + TR. "A parceria entre as duas entidades tem como foco atender o segmento de renda de até 10 salários mínimos com prioridade para a faixa de até cinco salários mínimos nas cidades do interior brasileiro", afirma Eduardo Gorayeb, diretor presidente da empresa.
A aquisição sem comprovação de renda será facilitada por meio do reconhecimento da capacidade de pagamento mensal equivalente à média dos valores pagos, dentro dos vencimentos, à Rodobens nos últimos 12 meses. Além disso, serão considerados pré-aprovados pela Caixa aqueles que comprovem o pagamento em pontualidade dos últimos 12 meses de aluguel. A Caixa também fechou anteriormente convênio similar com Goldfarb, Tenda e MRV. A Goldfarb anunciou a construção de 12 mil unidades no País; já a Tenda, 30 mil.
Cauê reativa forno em fábrica de cimento A Cauê, cimenteira do grupo Camargo Corrêa, retomará as atividades de um dos fornos da fábrica de Pedro Leopoldo, em Minas Gerais. O equipamento estava ocioso desde maio de 2005 por causa da baixa do mercado.
O funcionamento do forno possibilitará a produção de 2.200 toneladas de clínquer, material utilizado na produção de cimento. Nos últimos dois anos e meio, a unidade produzia apenas a moagem e ensacava o cimento. O clínquer era fornecido pela unidade de Ijaci, no Sul de Minas Gerais. Com a reativação do forno, aproximadamente 100 novos trabalhadores deverão ser contratados até o final do ano.
Lula veta Conselho de Arquitetura O presidente Lula vetou o projeto de lei, aprovado pelo Congresso Nacional, que criaria o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU). Se fosse sancionado, a representação profissional dos arquitetos ocorreria de forma independente do sistema Confea/Confea.
A justificativa da decisão é a de que o projeto teria de ser de autoria do Executivo. Lula disse que teria aprovado o projeto, se não fosse de autoria do Legislativo e também se comprometeu a encaminhar rapidamente a questão.
Investimentos externos O investidor estrangeiro persevera em seu interesse pelo Brasil. A Bracor Investimentos Imobiliários anunciou o aporte de aproximadamente R$ 375 milhões. Os responsáveis pela injeção de capital são o Morgan Stanley Real Estate, a holding da seguradora norte-americana W.R. Berkley Corporation, a holding administrada pelo The Olayan Group, e o Royal Group, conglomerado controlado pela família real do Emirado de Abu Dhabi. O aumento de capital proporcionará à empresa a possibilidade de expandir o portfólio em R$ 2 bilhões no prazo de dois anos.
Financiamento em 400 meses O empreendimento Innova São Francisco, localizado em Osasco, poderá ser financiado em até 400 meses. A Rodobens Negócios Imobiliários e a Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário viabilizaram esse prazo ao assumirem os primeiros 40 meses, tempo estimado para o término das obras, que são somados com os 360 meses dos agentes financeiros.
As unidades terão 2 e 3 dormitórios de 50 m2 e 65 m2, respectivamente. O preço médio da unidade é de R$ 125 mil e o VGV de R$ 224 milhões.
CURTAS
Acisa e Scopel firmam parceria A Acisa Incorporações e a Scopel Empreendimentos e Obras assinaram contrato de parceria. Os empreendimentos serão loteamentos com a marca Campos do Conde nos estados de São Paulo, Pernambuco, Bahia, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
Inpar expande atuação em 2007 A empresa paulista Inpar intensificou sua estratégia de expansão e descentralização geográfica. Acostumada a atuar no eixo Rio-São Paulo, a empresa realizou 39 lançamentos em 2007 - isoladamente ou em parceria com empresas locais. Destes, 28 foram em outros estados, representando 76% das 8.680 unidades colocadas à venda.
Em 2008, a empresa pretende lançar R$ 2,5 bilhões em novos projetos e, em 2009, outros R$ 3 bilhões.
Vendas aceleradas O Bairro Novo Cotia, empreendimento da joint venture entre Gafisa e Odebrecht, vendeu 83% das unidades de sua primeira fase nos 10 primeiros dias. Esta fase do empreendimento é composta de 464 unidades e gerou R$ 32 milhões. No total são cinco fases voltadas para o segmento popular desenvolvidas em uma área de 436.513 m2 na cidade de Cotia (Grande São Paulo) - 157.947 m2 é área de preservação. O projeto compreende 2.386 unidades com valor médio de R$ 70 mil e um VGV de cerca de R$170 milhões. Os clientes potenciais possuem renda mensal de aproximadamente 3,5 salários mínimos. As unidades dessa fase deverão ser entregues em dezembro de 2008.
São Paulo redesenha política habitacional
Foram criados um conselho e dois fundos para a área
A Assembléia Legislativa de São Paulo deu novos passos para a habitação. Foram criados o Conselho Estadual da Habitação, o FPHIS (Fundo Paulista de Habitação de Interesse Social) e o FGH (Fundo Garantidor Habitacional).
O Conselho será responsável por propor programas e ações para o desenvolvimento da política estadual de habitação, além de acompanhar e avaliar a implementação desses programas e ações. Já o FPHIS receberá os recursos provenientes do FNHIS (Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social) e demais iniciativas do Estado a serem aplicadas na implementação do Plano Estadual da Habitação de Interesse Social.
O governo também planeja ampliar as possibilidades de acesso ao crédito habitacional da população de baixo poder aquisitivo com o FGH. O fundo proverá recursos para garantir o risco de crédito, equalizar taxas de juros e garantir as operações de empréstimos ou financiamentos dos programas e ações da Política Estadual de Habitação de Interesse Social. Com a iniciativa, o Governo do Estado agirá como um avalista.
O FPHIS e o FGH terão conselhos gestores de caráter deliberativo. A primeira iniciativa contará com a supervisão, de forma paritária, de órgãos e entidades do Poder Executivo e representantes da sociedade civil. A expectativa é que essa ação aumente significativamente a oferta de crédito habitacional para a população carente do Estado.
Metrô do Rio estuda nova linha O Metrô do Rio de Janeiro iniciará estudos técnicos para a linha 3, viabilizados por base de medida provisória, que liberou R$ 7,140 milhões, sendo R$ 5 milhões do Governo Federal pela CBTU e pelo Ministério das Cidades. A iniciativa também recebe aval da Secretaria Estadual de Transportes do Rio de Janeiro. O prazo previsto para o término do estudo técnico do trecho inicial da Linha 3 é de dez meses. O primeiro trecho de 12,5 quilômetros será da estação de trem do Barreto (Niterói) ao bairro Zé Garoto (São Gonçalo). A linha poderá ser integrada para atender o Complexo Petroquímico, em Itaboraí, no Rio de Janeiro. A obra deverá ser concluída em 2009.
CARTAS
Déficit habitacional Cumprimento-os pelo conteúdo da edição no 78 de Construção Mercado. Gostaria apenas de fazer um pequeno reparo à nota "E o retrofit?", publicada na seção Em Off(veja aqui). Diferentemente do publicado, o SindusCon-SP não pretende "jogar" as famílias de baixa renda para bairros afastados, nem "desconsiderar" o retrofit de regiões centrais como um aliado no combate ao déficit habitacional. As propostas do SindusCon-SP estão corretamente descritas na reportagem "Desafio popular" e naturalmente comportam todas as modalidades pelas quais se possa proporcionar o acesso à moradia digna, inclusive o retrofit nas áreas centrais, até como uma forma de revalorizar essas regiões.
João Claudio Robusti, Presidente do Sinduscon-SP (Sindicato da Indústria da Construção do Estado de São Paulo)