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Infra-estrutura prevê mais recursos
Bernadete Amado

Investimentos externos em infra-estrutura diminuíram no início do ano, mas as perspectivas são boas
Pesquisa da Abdib (Associação Brasileira de Infra-Estrutura e Indústrias de Base) apoiada em dados do Banco Central revelou que os investimentos estrangeiros para infra-estrutura no Brasil diminuíram cerca de 60% no primeiro trimestre de 2008, em comparação ao mesmo período do ano anterior. Mas, mesmo assim, o presidente da entidade, Paulo Godoy, acredita que essa situação mudará nos próximos meses, devido à nova classificação da Standard & Poor's para a economia brasileira, que agora sobe para grau de investimento.

De acordo com o estudo, a infra-estrutura recebeu neste ano R$ 894,2 milhões de recursos externos, número menor do que os R$ 1,188 bilhão registrados em 2007. "O importante na análise é notar que o volume de investimento estrangeiro para a infra-estrutura está baixo, mas isso não é sinônimo de um menor apetite dos investidores pelo mercado brasileiro", explica.

Para Godoy, o baixo volume de investimento mostra, na verdade, que as empresas estão buscando fontes de financiamento no mercado interno. Um dos exemplos que deixa claro essa situação, segundo o presidente, são os desembolsos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que crescem cada vez mais para a infra-estrutura.

"A infra-estrutura será, certamente, uma das principais portas de entrada para o investimento estrangeiro e acredito que os principais investidores serão os fundos de pensão internacionais", conta o presidente. "Muitos deles têm regras rígidas e só podem investir em países que sejam grau de investimento", completa. Assim, segundo Godoy, os FIPs (Fundos de Investimento em Participação) se tornarão bastante atrativos para os investidores estrangeiros, principalmente para os fundos institucionais internacionais, que poderão participar do desenvolvimento de projetos de infra-estrutura no Brasil.


Agra compra parte da Asacorp
A incorporadora Agra adquiriu 70% da Asacorp Empreendimentos e Participações S/A, construtora de Belo Horizonte que atua no segmento econômico nos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Bahia. O valor da compra foi totalizado em R$ 25 milhões, e pode se estender a R$ 40 milhões caso atinja todas as metas de resultados.
A partir de agora, a junção das duas empresas utilizará a marca Asa incorporadora.

Pela primeira vez a Agra trabalhará com empreendimentos para a classe média baixa, setor no qual a Asacorp já possui experiência de 20 anos A perspectiva é que a Asa incorporadora lance duas mil unidades residenciais neste ano, seis mil em 2009 e 12 mil em 2010. Os apartamentos terão área média entre 44 m2 e 70 m2, e custarão desde R$ 50 mil (segmento supereconômico) até R$ 120 (segmento econômico). O VGV (Valor Geral de Vendas) está estimado em R$ 1,5 bilhão.


Índice Bovespa
A Bovespa anunciou em abril a criação de um Índice Imobiliário para medir o desempenho das ações mais representativas de empresas ligadas ao setor da construção civil, construção pesada e materiais de construção, entre outros segmentos relacionados. O objetivo é oferecer uma visão segmentada do mercado acionário das atividades imobiliárias. Para isso, foi aberta uma consulta pública entre o dia 2 de maio até o dia 2 de junho para ajudar na elaboração do índice.

A consulta tem o objetivo de permitir que investidores, associações e instituições interessadas na criação do indicador possam sugerir idéias de como o índice trabalhará e de como serão suas características técnicas, como nome, setores e ações elegíveis, critério para inclusão na carteira e limite de participação. A perspectiva é que o índice imobiliário comece a operar em janeiro de 2009.



Fundo procura projetos

O primeiro fundo de Real Estate Equity da Kinea, empresa de investimentos do Itaú criada em agosto de 2007, arrecadou R$ 50 milhões na captação encerrada em abril. Os recursos, destinados para a incorporação imobiliária residencial, deverão ser investidos em pelo menos cinco ou seis projetos de diferentes perfis.

De acordo com informações da empresa, o primeiro fundo é formado em sua maioria por investidores qualificados, apesar de também contar com participação de pessoas físicas. O próximo passo é procurar projetos nas principais cidades brasileiras, tanto com incorporadoras grandes quanto de médio e pequeno porte. Um dos principais objetivos da Kinea é ampliar o seu portfólio de construções residenciais, com empreendimentos para todas as classes sociais localizados em diferentes regiões do País.

Ao abrir uma sociedade com a Kinea, o incorporador continua com o controle operacional do projeto, mas tem a vantagem de poder investir em projetos grandiosos que exijam maiores recursos financeiros, com a garantia de risco assegurada pelo fundo. Além disso, o empreendimento será associado à empresa de investimentos do Itaú, proporcionando melhores oportunidades de vendas.

Assim que as parcerias com incorporadoras se efetuarem, a Kinea estudará a possibilidade da ampliação do potencial desse primeiro fundo ou a criação do segundo fundo Real Estate Equity da empresa.


Eternit aumenta produção
Meta é elevar capacidade em 15% ao ano

Divulgação Eternit

O Grupo Eternit, especializado na fabricação de produtos de fibrocimento, inaugurou um novo equipamento na sua fábrica de Goiânia para aumentar a capacidade de produção da empresa em 15%, o que representa cerca de 10 mil t a mais por mês. O investimento foi de R$ 15 milhões.

Segundo o presidente do grupo, Élio A. Martins, um dos fatores que impulsionaram o investimento na nova linha de produção é a confiança na demanda. "Estamos conscientes de um ciclo virtuoso que permanecerá pelo menos nos próximos quatro anos", conta. Ainda está nos planos da empresa outro investimento na fábrica de Curitiba, orçado em R$ 20 milhões para a ampliação do galpão e a instalação de um equipamento parecido com o colocado em Goiânia.

Os investimentos fazem parte de um plano ambicioso da Eternit, que pretende elevar sua capacidade de produção em 15% ao ano pelos próximos quatro anos. Atualmente, a empresa possui cinco fábricas para produção de telhas, caixas d'água, peças complementares, caixas de polietileno, chapas cimentícias, painéis para divisórias, mezaninos, entre outros.


CURTAS

Confiante no crescimento

O presidente do SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo), João Cláudio Robusti, continua apostando no crescimento de aproximadamente 10% da Construção Civil em 2008, mesmo com a elevação dos juros. Segundo ele, a alta dos juros só atrapalhará o setor em 2009, pois, em 2008, as obras já estão todas contratadas. O presidente acredita ainda que falte uma política para a habitação de interesse social,
assim como aconteceu com o segmento imobiliário e de infra-estrutura no País.

Sinicesp tem nova diretoria
A nova diretoria do Sinicesp (Sindicato da Indústria da Construção Pesada do Estado de São Paulo), eleita para o triênio 2008-2011, tomou posse em 22 de abril.

A presidência passa a ser comandada pelo engenheiro Marlus Renato Dall'Stela, que sucedeu o empresário Carlos Pacheco Silveira. Um dos planos do novo presidente é agilizar todos os programas destinados a atender as necessidades do País no campo da infra-estrutura, como rodovias, ferrovias, metrôs, energia e saneamento.

FNHIS seleciona Estados e municípios
O Ministério das Cidades abriu em maio um novo processo de seleção do FNHIS (Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social) para Estados e municípios de regiões metropolitanas com mais de 20 mil habitantes. O fundo distribuirá R$ 10 milhões para elaboração de planos locais de habitação de interesse social. Mais informações no site do Ministério das Cidades (www.cidades.gov.br).


Construção mercado 83 - junho 2008
 
 
 
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Edição 83
Maio/2008
     
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