Boom industrial e os "bons problemas" A reportagem de capa desta edição revela um cenário promissor para o segmento de obras industriais. Próximas do limite da capacidade instalada, as indústrias estão investindo não apenas em ampliações, mas também em novas plantas. Projetistas, construtoras especializadas e pré-fabricadores já sentem esse aquecimento, que chega também às subempreiteiras e aos fornecedores de materiais. A construção civil, já aquecida pelo segmento residencial, deve ganhar novo fôlego. O mercado imobiliário também deve ser afetado positivamente, pois grandes fábricas abrem novas frentes de crescimento, oportunidades de empregos e a busca por imóveis. É o caso, por exemplo, da região metropolitana do Rio de Janeiro. Com a previsão da instalação de novas indústrias, cidades como Itaboraí, Maricá e Seropédica se valorizam e despertam o interesse de grandes incorporadoras. O boom de obras industriais deve promover também o desenvolvimento de novos conhecimentos e técnicas, visto que a engenharia nacional terá obras complexas pela frente, como a Companhia Siderúrgica do Atlântico, a nova fábrica de celulose da Votorantim Papel e Celulose em Três Lagoas (MS) e o Pólo Petroquímico de Itaboraí (RJ). De outro lado, tal crescimento, somado ao boom do mercado imobiliário, deve impor novas pressões ao setor. A disputa por engenheiros, técnicos e operários qualificados pode se acentuar, assim como o risco de escassez de alguns materiais, máquinas e equipamentos. Isso sem contar as pressões geradas também pelas obras de infra-estrutura, tão necessárias para mantermos o atual ritmo de crescimento, não apenas do construbusiness, mas de todo o País. Enfim, os chamados "bons problemas", é hora de encará-los.