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Cimento poderá ser importado
SindusCon-SP pressiona indústria cimenteira para regularizar abastecimento, sob risco de preferência ao mercado externo
Marcelo Scandaroli

Em outubro, o SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo) voltou a cobrar, da indústria cimenteira, a normalização no abastecimento do insumo em todo o País. Caso a oferta não seja garantida com regularidade, a entidade já alerta as construtoras para a possibilidade (ou talvez necessidade) da importação de cimento de outros países.

Neste ano, como as indústrias já operam próximas ao limite e a demanda permanece aquecida, houve falhas de abastecimento e aumento da especulação nas redes de revenda, forçando o encarecimento do produto no mercado. A Votorantim, por exemplo, parou parcialmente a unidade de Itaú de Minas, em Minas Gerais, para a manutenção de um moinho e logo provocou o desabastecimento no Estado de São Paulo e o forte crescimento do preço na região. O episódio fez com que a empresa tomasse uma série de medidas emergenciais, como a importação de cimento da China, o cancelamento das exportações para outros países e a diminuição de estoques reguladores, priorizando, assim, a distribuição do material no País.

Em relação ao preço, o SindusCon-SP também se preocupa com o forte aumento registrado nos últimos meses. Segundo levantamento da entidade, até agosto deste ano, o produto foi o que mais encareceu em relação ao mesmo mês de 2007, representando um crescimento de 28,7%. Em Estados mais afastados, o problema é mais grave. "O mercado brasileiro está muito aquecido e aqui no Acre o saco de cimento é encontrado por R$ 38", conta Jorge Wanderlau Tomás, diretor do Sinduscon do Acre.

Votorantim tem perda com câmbio
O Grupo Votorantim perdeu cerca de R$ 2,2 bilhões para eliminar suas operações de swap (compras de câmbio à vista vinculadas à venda futura) verificadas em dólar. Esse foi o maior prejuízo reportado por uma empresa brasileira desde o início da crise financeira. Em outubro, a cotação da moeda americana atingiu pico de R$ 2,48, contra R$ 1,63 cotado em setembro. Segundo nota enviada ao mercado, o gasto envolve todos os ramos da empresa, entre papel, metais, cimentos, energia, finanças e agroindústria.

Apesar disso, a empresa afirma que possui, em caixa, o equivalente a R$ 10 bilhões disponíveis, valor que seria suficiente para garantir o equilíbrio da gestão. Informou também que a relação dívida líquida X Ebitda (indicador para quanto a empresa gera de recursos apenas por meio de suas atividades operacionais) é de 2,4x.

E a empresa continua otimista. Para 2008, o grupo confirma estimativa de uma geração de caixa de R$ 8,4 bilhões, marca que ultrapassa a cifra de R$ 8,1 bilhões registrados no ano passado. O seu faturamento líquido também deve aumentar, saltando dos R$ 30,9 bilhões alcançados em 2007 para R$ 34 bilhões neste ano.

Norma para tintas látex é revisada
A NBR 15079, norma que especifica os requisitos mínimos de desempenho de tintas para edificações não industriais, foi revisada e publicada pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) em outubro. A nova legislação define detalhadamente três níveis para tintas látex: premium, standard e econômico, conforme o desempenho.

A lei também tornou obrigatória a menção, na embalagem do material, do nível de desempenho da tinta látex. A medida facilitaria a identificação e escolha do consumidor pelo diversos produtos. Outra novidade é que a legislação estabelece método para determinação da cor ou da diferença de cores entre superfícies pintadas, não fluorescentes. Apresentada pela primeira vez em 1994, a norma para tintas foi revisada no âmbito do Programa Setorial de Qualidade - Tintas Imobiliárias.


Cyrela desiste de comprar a Agra
Contratos de exclusividade na atuação em diferentes praças firmados antes do anúncio teriam dificultado a fusão entre empresas

No último mês, a Cyrela Brasil Realty anunciou que desistiu da compra da Agra Empreendimentos Imobiliários. Em nota oficial, as empresas atribuíram o fato à "impossibilidade de compatibilização dos compromissos assumidos pelas companhias perante seus respectivos parceiros, no que tange à exclusividade de atuação conjunta com tais parceiros em certas regiões do País".

Tanto a Cyrela quanto a Agra possuíam exclusividade de atuação em algumas cidades e, apesar da boa relação entre as duas companhias - que já eram sócias antes mesmo do anúncio da fusão - alguns parceiros locais não concordaram com a integração, dificultando o negócio entre elas e impulsionando a desistência no acordo.

"Tivemos uma sobreposição principalmente na Bahia", contou Beto Horst, CEO da Agra, à imprensa. "A Agra, de forma alguma, iria prejudicar qualquer parceria nossa de médio e longo prazo, ainda mais em uma construção tão importante e indo tão bem, como a da Bahia", completou. "Não estamos nada arrependidos da nossa sociedade inicial e pretendemos fazer muito mais negócios com eles, do mesmo jeito", disse Elie Horn, diretor presidente da Cyrela.

A compra da Agra Empreendimentos Imobiliários foi anunciada em 22 de junho, sendo que o acordo poderia atingir o total de R$ 1,5 bilhão. O principal objetivo da aquisição era a entrada da Cyrela no mercado imobiliário do Nordeste, onde a Agra possui 40% do seu potencial de venda.


DIVULGAÇÃO: LANXESS

Lanxess terá usina própria de energia
Para não parar a produção e expandir seus negócios no Brasil, a Lanxess AG, empresa que incorporou a divisão de especialidades químicas da Bayer, vai construir uma usina própria de co-geração de energia à base de combustível renovável em bagaço de cana. A produção da unidade irá abastecer a demanda da base de Porto Feliz, no interior de São Paulo.

Avaliado em R$ 18,5 milhões, o projeto será construído a partir de janeiro de 2009, com término previsto para 2010. Esse investimento faz parte de um total de R$ 50 milhões que a empresa aplicará somente em Porto Feliz até 2009.

"Certamente, existe energia suficiente no Brasil hoje, mas por causa da alta dependência em hidroeletricidade, que é suscetível a flutuações, e da demanda crescente e constante por energia em geral, especialistas prevêem que as exigências de energia ultrapassem de forma significativa as capacidades disponíveis muito em breve", explica Joerg Hellwig, diretor da unidade de negócios Inorganic Pigments da Lanxess. No Brasil, a Lanxess possui outras seis unidades espalhadas pelo País.


CURTAS

Economia de energia

A unidade Jaguaré da Votorantim Cimentos, em São Paulo, inaugurou novo vestiário com sistema de aquecimento solar. De acordo com a Enova Solar, empresa responsável pelo projeto dos aquecedores, o sistema automatizado permitirá a economia de aproximadamente 55% da energia e cerca de 60 mil l/ano de água.

Financiamento à qualidade
O cartão do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) agora também vai financiar serviços de certificação de qualidade, como as normas ISO 9000 e 14000, e acreditação. Porém, o BNDES só beneficiará empresas ou organismos chancelados pelo Inmetro (para os que prestam serviço de certificação) e pela ANS (para fornecedores de acreditação). O objetivo é estimular a competitividade de micro, pequenas e médias empresas, e garantir a qualidade do produto.

Índice de preço de saneamento
A FGV (Fundação Getúlio Vargas) anunciou que está trabalhando na elaboração de um índice próprio de reajuste de preços para o saneamento básico, que deve ser apresentado até o final de 2009. De acordo com a entidade, serão levadas em conta especificidades das obras de saneamento que antes não eram consideradas por outros índices, como rede de coleta de esgoto, topografia, obras de irrigação e estações de tratamento. O índice demorará mais um ano para ser efetivamente definido, pois é necessário que os dados sejam coletados e comparados.


Construção mercado 88 - novembro 2008
 
 
 
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Edição 88
Novembro/2008
     
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