Construção mercado 89 - dezembro 2008 Painel de mercado Empresa investirá em imóveis de padrão B e C, com valores entre R$ 180 e R$ 280 mil Bascol chega ao Brasil De olho na classe média alta brasileira, a construtora e incorporadora portuguesa Bascol anunciou sua chegada ao País com o lançamento de dois empreendimentos em Curitiba (PR). Por enquanto, o plano da empresa é investir tanto na capital paranaense como na cidade de Londrina. "Ainda temos prospectados vários outros mercados, como São Paulo e Rio de Janeiro, mas vamos dar um passo de cada vez", conta o diretor internacional da Bascol, Ricardo Romanholo. Já está orçado o investimento de cerca de R$ 28 milhões na criação dos empreendimentos e de uma sede da empresa no Brasil. A Bascol atua há mais de 20 anos em Portugal, com escritórios em três cidades e uma filial em Luanda, na Angola.
"No Brasil, queremos atuar no segmento da primeira habitação com empreendimentos de padrão B e C", explica o diretor da Bascol. Os apartamentos custarão entre R$ 180 e R$ 280 mil. A empresa aposta na flexibilidade das plantas das unidades, com até seis opções de projeto para escolha do cliente, serviço antes oferecido apenas em imóveis de alto padrão.
Apesar de toda a atenção de construtoras e incorporadoras para a baixa renda, devido ao grande déficit desse tipo de habitação no País, a Bascol ainda não pretende atuar nesse negócio - principalmente por não ter experiência desse tipo em Portugal, onde quem investe no segmento econômico é o governo. No entanto, a possibilidade não está descartada a longo prazo. "É preciso ter um conhecimento que nós não temos, mas que estamos buscando. Por enquanto, apontamos para aquilo que sabemos fazer", afirma Romanholo. Como a Bascol veio para o Brasil apenas como incorporadora, atuará em parceria com construtoras nacionais, não reveladas à reportagem até o fechamento desta edição.
Crise dificulta consolidação do setor O diretor da consultoria Ernst & Young, Antônio Cocurullo, acredita que a crise na economia mundial está sendo uma das principais barreiras para o movimento de consolidação das empresas de construção civil no Brasil, já que agora o mercado não consegue avaliar com precisão o valor real das companhias, por conta da oscilação financeira. A declaração foi dada durante o Cityscape Latin America, evento de real estate realizado em São Paulo no mês de novembro.
Para Cocurullo, fusões e aquisições entre construtoras e incorporadoras eram uma das conseqüências do boom imobiliário que vigorava no setor. Porém, a crescente desvalorização das empresas no mercado financeiro tornou esse cenário complexo, por não ser mais possível realizar avaliação segura das atividades e do patrimônio de algumas empresas. "O valor dos terrenos estava inflacionado. Com a crise, não há como prever o VGV (Valor Geral de Vendas) dos lançamentos, dos terrenos e quanto será necessário investir para executá-los", defendeu.
Apesar disso, o consultor acredita que a construção civil não será tão prejudicada como os demais setores da economia brasileira, pois já superou fases semelhantes, além de contar com o apoio do governo, por meio de recursos como a recém-criada linha de crédito para capital de giro às construtoras e incorporadoras.
Bahia terá estaleiro de US$ 400 milhões A joint venture Estaleiro da Bahia S.A, formada pelas empresas OAS, Setal e Piemonte Investimentos, lançou um projeto de US$ 400 milhões (cerca de R$ 910 milhões) para instalação de um estaleiro de construção naval e offshore em Maragogipe, região metropolitana da Bahia, próxima à Baía de Todos os Santos. O empreendimento é o primeiro de vários outros que formarão o Pólo da Indústria Naval, projeto criado pelo governo baiano.
O estaleiro produzirá petroleiros, plataformas, sondas de perfuração e navios de apoio offshore. A obra começará no início de 2009 e deverá ser entregue no final de 2010. A OAS e a Setal terão, cada uma, 45% do empreendimento, e a Piemonte os outros 10%. As três empresas pretendem financiar o projeto com dinheiro do FMM (Fundo da Marinha Mercante), linha de empréstimo de longo prazo disponível para o setor.
Aquecedores solares para baixa renda
CPFL Energia faz parceria com CDHU para reduzir consumo de energia em imóveis econômicos
ACDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano) e a CPFL Energia (Companhia Paulista de Força e Luz), por meio de suas distribuidoras CPFL Paulista e CPFL Piratininga, assinaram em novembro um protocolo de cooperação que prevê a instalação de equipamentos para reduzir o consumo de energia em conjuntos habitacionais de baixa renda. O acordo estabelece que a CPFL seja responsável também pela criação de programas sociais que orientem a população sobre o uso eficaz e seguro da energia elétrica.
A primeira iniciativa do protocolo será a doação e instalação de aquecedores solares para a água dos chuveiros de cerca de seis mil unidades em municípios (ainda não definidos) da área de concessão da CPFL. Está prevista ainda a substituição de lâmpadas incandescentes por fluorescentes compactas de alta eficiência. Segundo a CDHU, as medidas podem reduzir em até 70% o consumo de energia elétrica. Todos os custos do projeto e serviços de instalação, que devem ser concluídos em 2010, serão assumidos pela CPFL Energia e não vão ser repassados para os moradores.
A ação só poderá privilegiar os municípios que aderirem ao Programa de Regularização Fundiária Cidade Legal, criado em agosto de 2007 pela própria Secretaria de Estado da Habitação e que tem como objetivo auxiliar as prefeituras na regularização e averbação de parcelamentos de solo e de núcleos habitacionais já existentes, sejam eles públicos ou privados.
Método Engenharia lança novo shopping em São Paulo
A Método Engenharia vai construir um shopping center na estação de metrô Vila Madalena, zona Oeste da cidade de São Paulo. A empresa foi selecionada pela Companhia do Metropolitano de São Paulo em processo de concorrência pública, e terá direito de uso do espaço por 20 anos, com previsão de renovação do contrato por mais duas décadas.
O projeto demandará investimento de mais de R$ 30 milhões e começará a ser executado no segundo semestre de 2009, para ser entregue em 2011. O novo shopping será abrigado em um terreno de 3,8 mil m2, localizado na esquina da Av. Heitor Penteado com a Rua Marinho Falcão, e terá cinco pavimentos e três subsolos, somando 23 mil m2 de área construída.
A Método Engenharia aposta num modelo de construção sustentável. Utilizará sistemas para reúso de água, aproveitamento de iluminação natural e de economia de energia. O shopping na estação Vila Madalena retoma a atuação da empresa como incorporadora e inicia um novo tipo de negócio no qual a Método será a única responsável pela construção, incorporação e administração do empreendimento.
CURTAS
Greenbuilding O edifício comercial Cidade Nova, da construtora Bracor, recebeu a certificação Leed (Leadership in Energy and Environmental Design), da United States Green Building Council. Localizado no Rio de Janeiro, o prédio é incorporado de itens e mecanismos que diminuem o impacto sobre o meio ambiente, como vidros isotérmicos e captação e reúso de água.
Madeira legal Construtoras que quiserem financiar empreendimentos pela Caixa Econômica Federal deverão comprovar a origem legal da madeira utilizada nas suas obras a partir de janeiro de 2009. A iniciativa surgiu depois de uma parceria entre o banco, o Ministério do Meio Ambiente e o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente). A comprovação se dará por meio do DOF (Documento de Origem Florestal) e de uma declaração contendo as espécies, quantidades e destino final dos produtos. Esse documento garante que a madeira é oriunda de florestas nativas, com planos de manejo florestal ou com autorização de desmatamento.
Nova ferramenta O site da Secretaria Municipal de Urbanismo do Rio de Janeiro inaugurou no último mês uma ferramenta intitulada "Busca Fácil", que permite consultas rápidas à legislação local de uso e ocupação do solo. São possíveis três tipos de busca: por ato, assunto ou palavra. De acordo com o órgão, o sistema contém as normas em vigor com texto integral e atualizado. A secretaria ressalta, porém, que o material possui caráter exclusivamente informativo e não substitui os textos publicados nos Diários Oficiais. O endereço é www.rio.rj.gov.br/smu.