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Como comprar e utilizar fôrmas metálicas
Produtividade e grande número de reutilizações são algumas das vantagens das fôrmas metálicas. Confira as dicas para contratação e utilização

Por Gisele C. Cichinelli

Marcelo Scandaroli
Prazos curtos e alta repetitividade
de elementos são algumas das condicionantes que justificam o uso das fôrmas e cimbramentos metálicos em obras prediais. A julgar pelas características próprias da solução - painéis com medidas padronizadas, de fácil montagem e com alto índice de reutilização -, o crescimento do mercado de habitações econômicas pode ser um importante filão para esse produto.

Pelo menos é essa a expectativa do setor, sobretudo para o mercado de fôrmas de alumínio para moldar paredes de concreto. Embora a sua especificação não seja limitada a empreendimentos destinados à baixa renda, a rapidez de execução e produtividade dão pistas do seu potencial frente aos sistemas já consagrados nessa faixa de renda, como a alvenaria estrutural, por exemplo.

Por enquanto, tais fôrmas ainda não contam com fabricação local e disponibilidade para locação (estão disponíveis apenas para a aquisição, seguindo uma tendência mundial). Mas algumas construtoras e incorporadoras já estão lançando mão da solução. Entre elas, a Gafisa, que até dezembro de 2010 entregará o primeiro de uma série de lançamentos destinados ao mercado emergente (até R$ 230 mil) que preveem a sua utilização.

Seja para moldar paredes de concreto ou outros elementos estruturais, vale ressaltar que o uso das fôrmas metálicas, de um modo geral, deve ser previsto no projeto executivo. Do contrário, a alta produtividade de montagem pode ser seriamente comprometida em função da necessidade de arremates desnecessários.

De acordo com Jefferson Dias de Souza, diretor da Abece (Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural), as fôrmas metálicas são menos flexíveis que as de madeira, permitindo poucos ajustes na obra. "Por essa característica, elas exigem um estudo mais detalhado do projeto", explica. No caso do seu uso para execução de paredes de concreto, é importante que a arquitetura preveja vãos padronizados, garantindo assim uma alta velocidade de execução.

Outra etapa que exige atenção é a escolha do fornecedor. Antes de fechar com a locadora, a primeira recomendação é que o construtor tenha uma visão sistêmica da contratação que será feita. Como lembra o projetista de fôrmas Paulo Assahi, esses equipamentos servem para moldar a estrutura e, portanto, devem garantir qualidade e produtividade durante toda a etapa de execução. A hipótese de escolher pelo menor custo, prática ainda muito comum no mercado, deve ser terminantemente descartada, sob pena de comprometer o desempenho estrutural da edificação.

Como destacam os especialistas, mais de 50% dos colapsos estruturais que ocorrem durante o processo construtivo são consequências de erros na montagem e execução das fôrmas. Portanto, é imprescindível que a escolha da locadora leve em conta a disponibilidade de equipamentos e de profissionais habilitados para orientar e treinar a mão de obra no canteiro.

Custos e indenização

Quando comparadas com as de madeira, as fôrmas metálicas custam entre sete e dez vezes mais. Por outro lado, elas possuem potencial de reutilização compatível com o seu custo. "Podem ser reusadas mais de 200 vezes", afirma Assahi. A aquisição das peças se mostrará mais vantajosa apenas quando houver demanda para reutilizá-las.

Vale lembrar que, em empreendimentos com 20 pavimentos, o custo da fôrma representa algo em torno de 1% do custo global da obra. Soma-se ainda a esse valor o custo da mão de obra para a sua utilização (incluem-se nessa conta montagem, transporte e remontagem por até 20 vezes), que pode chegar a cerca de 5%. "Com base nesses números, a melhor opção é escolher empresas que ofereçam o menor custo global, de aquisição e operação, e que garantam a qualidade necessária", completa o projetista.

Outro foco de atenção durante a etapa de contratação são as cláusulas de indenização. Como cada empresa atua no mercado com um modelo de proposta diferente, o ideal é que o profissional que baterá o martelo exija um contrato técnico e claro. Sobretudo em relação às condições de devolução e aos preços a serem pagos em caso de avarias, um dos pontos mais conflituosos na relação entre construtoras e locadoras.

De fato, a falta de clareza dos contratos é uma das principais queixas dos construtores. Por outro lado, os fabricantes insistem na premissa de que locar equipamentos de fôrmas e escoramentos é, antes de tudo, locar engenharia. Com o objetivo de difundir o conhecimento técnico do sistema e facilitar a interface com os usuários, o setor acaba de criar a Abrasfe (Associação Brasileira de Empresas de Fôrmas e Escoramentos). O primeiro passo nesse sentido acaba de ser dado com a publicação da primeira norma técnica relativa às fôrmas e escoramentos, a NBR 15575, em vigor desde maio de 2009.

Mais informações: www.abrasfe.org.br

Checklist

Cuidados na contratação

n Escolha a empresa pela sua experiência e capacidade para atender às exigências de segurança e às normativas técnicas.

n Para evitar problemas, exija que o locador faça um contrato claro de locação de bens móveis, apontando itens como preço de locação e de indenização, condições comerciais e de atendimento, entre outros aspectos.

n Verifique se no projeto de montagem dos equipamentos constam soluções técnicas que agreguem valor à obra.

n Exija da locadora treinamento técnico para a equipe que irá montar e desmontar o sistema de fôrma e escoramento no canteiro.

n A empresa também deve oferecer acompanhamento técnico feito por um profissional qualificado, capaz de propor soluções, verificar sobra de equipamento (que poderá ser devolvido à locadora), tirar dúvidas e ainda fazer a interface entre o construtor e o locador.

Cuidados com as peças

n Confira a quantidade e a qualidade das peças ainda dentro do depósito do locador. Essa checagem deverá ser feita na retirada e na devolução do material.

n Cobre e acompanhe de perto a equipe de montagem para que os equipamentos não sejam usados indevidamente. Eles devem ser corretamente limpos e armazenados após o uso. As peças pequenas devem ser guardadas em caixotes.

n Evite deixar o equipamento ocioso durante o remanejamento de um pavimento para outro, evitando que ele fique suscetível a roubo ou a ser enterrado.

n Caso o material seja danificado, devolva-o imediatamente ao fornecedor. Além de deixar de pagar o aluguel da peça, é possível que o estrago seja pequeno e consertado com custo zero.

Norma técnica

NBR 15696 - Fôrmas e Escoramentos para Estrutura de Concreto - Projeto, Dimensionamento e Procedimentos Executivos (válida desde maio de 2009).

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