Vendas reaquecem e estoques caem Com poucos lançamentos no primeiro semestre, vendas do mercado imobiliário de São Paulo recuperam o ritmo pré-crise
As vendas do mercado imobiliário paulistano apresentaram, no primeiro semestre de 2009, fortes sinais de recuperação. Enquanto os lançamentos residenciais sofreram retração de 51,5% em relação à primeira metade de 2008, a comercialização de imóveis novos foi 25,2% inferior ao mesmo período do ano passado. Foram 14,3 mil unidades vendidas contra 19,2 mil no ano anterior. O volume de contratações já se aproxima do patamar do primeiro semestre de 2007, quando 14,4 mil habitações foram vendidas.
Os dados são do Balanço Imobiliário do Secovi-SP (Sindicato da Habitação de São Paulo), que também revela uma quantidade mensal de vendas superior à de lançamentos desde janeiro de 2009. É exatamente o oposto do que acontecia nos últimos meses de 2008. "Muitos projetos foram engavetados, mas o consumidor não acompanhou essa paralisação", explica João Crestana, presidente da entidade.
As vendas sobre ofertas (VSO) do primeiro semestre de 2009 mantiveram a média de 12,8% - contra 13,8% em 2008 - puxadas pelos meses de maio e junho com VSO de 21,3% e 21,5%, respectivamente. O Secovi aposta, no entanto, na queda desses índices com a retomada dos lançamentos no segundo semestre, e prevê VSO médio anual de 13%. A pesquisa evidenciou também uma alteração no perfil dos empreendimentos. Das unidades vendidas entre janeiro e junho, 43,8% são de dois dormitórios. Essa porcentagem era de apenas 28% no período equivalente de 2008, um aumento de participação que se fez notar, principalmente, após o início do programa Minha Casa, Minha Vida.
Celso Petrucci, diretor e economista-chefe do Secovi-SP, ressalta que as empresas estão readequando seus produtos e estima que os lançamentos devem dobrar no segundo semestre. Ao todo, o Secovi prevê o surgimento de 25 mil unidades na cidade em 2009, resultado próximo ao de 2006. As projeções de vendas são mais ambiciosas - 32 mil unidades - e se equiparam ao volume de contratações de 2008 - 32,8 mil.
Em junho, o crédito imobiliário finalmente reagiu após três meses de relativa estagnação. O volume de financiamentos à construção com recursos do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) cresceu 39,5% em relação a maio, passando de R$ 903 milhões para R$ 1,26 bilhão, segundo dados da Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança). O crédito para compra de imóveis aumentou 15,5%, e na soma das duas modalidades, o salto do mês foi de 24,6%.
Já no acumulado do semestre, o volume total de crédito concedido foi de R$ 13,6 bilhões, um crescimento de 5,1% em relação à primeira metade de 2008. O resultado positivo não se deve, no entanto, ao crédito à produção - nesse segmento o semestre somou R$ 5,5 bi em financiamentos, com retração de 24% em relação ao mesmo período de 2008. Por outro lado, o crédito para aquisição de imóveis cresceu 40% na comparação entre semestres - de R$ 5,7 para R$ 8 bi.
Até o final do ano, a Abecip conta com a retomada do crédito à construção e, no acumulado, espera igualar o resultado de 2008, totalizando R$ 30 bilhões em financiamentos.
Caixa abre composições do Sinapi
Pelo site da instituição é possível acessar o detalhamento dos serviços que constam do Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil
Caixa Econômica Federal disponibilizou, no final do mês de julho, o acesso às composições dos serviços listados no Sinapi (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil). A divulgação das composições é uma demanda antiga do setor e atendeu ao acordo firmado no início daquele mês entre o banco e representantes da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), da Casa Civil e do Ministério das Cidades.
Os dados do Sinapi são usados pela Caixa para embasar a análise de custos de projetos contratados com recursos do Orçamento Geral da União, como o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e o programa Minha Casa, Minha Vida. Os valores referem-se ao custo por metro quadrado dos serviços de construção levando em conta o material e mão de obra, mas não incluem os gastos com o projeto, seguros, financiamentos, entre outras despesas adicionais. Com a liberação do acesso, os interessados podem conferir o detalhamento dos itens e coeficientes que compõem o cálculo de cada serviço.
As informações do Sinapi são resultado de um trabalho conjunto entre a Caixa e o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que pesquisa mensalmente nas capitais dos Estados e no distrito federal os preços de materiais de construção, equipamentos e salários dos profissionais do setor.
Monitoramento com imagens de satélite
Para acompanhar o andamento das obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e do programa Minha Casa, Minha Vida, a Caixa Econômica Federal está desenvolvendo um sistema de geoprocessamento que vai fornecer informações territoriais por meio de imagens de satélite. O Caixa Simbrasil Geo permitirá monitorar visualmente a evolução das obras, dando apoio às visitas de supervisão feitas pelos técnicos do banco. O edital para compra das imagens de satélite está em fase de elaboração.
Como parte da iniciativa, o banco já adquiriu mais de 500 bases cartográficas de cidades e deu início ao processo para comprar outras 300. As bases e imagens serão associadas a mais de 400 indicadores de municípios e Estados, que complementam o perfil de cada região. O sistema deve ficar pronto até o final de 2010 e estará disponível, inicialmente, apenas para a equipe da Caixa. A intenção do banco é abrir gradualmente o acesso aos municípios e, por fim, a todo o público. Será possível consultar, por exemplo, dados sobre o investimento e o percentual executado dos projetos. A ideia é estender o monitoramento a todas as obras financiadas pelo banco.
CURTAS
Seminário de obras públicas
No dia 22 de outubro a PINI promove o seminário "Desafios e Oportunidades no Mercado de Obras Públicas", que reunirá profissionais e especialistas para discutir e propor soluções para os gargalos desse mercado. Com o aquecimento do setor provocado pelos investimentos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e da Copa 2014, temas como BDI (Benefícios e Despesas Indiretas), parcerias público-privadas e critérios de fiscalização ganham destaque e estarão entre os tópicos do debate. O evento integra a programação da Construtech 2009.
Substituição tributária
Em agosto, começou a vigorar entre Minas Gerais e São Paulo o regime de Substituição Tributária, que atribui ao primeiro contribuinte da cadeia de circulação de bens - geralmente o fabricante ou importador - a responsabilidade pelo recolhimento do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) devido por seus clientes. Os protocolos contemplam operações interestaduais de 14 setores da economia, entre eles o de materiais de construção. Acordo semelhante passa a valer entre Minas e o Rio Grande do Sul a partir de 1o de setembro.
Usina Santo Antônio
Os trabalhos de concretagem na Usina Hidrelétrica Santo Antônio, em Porto Velho (RO), seguem acelerados. As primeiras bombas foram acionadas no último dia 17 de julho. Ao todo, serão injetados 3 milhões de m³ do material. O objetivo do consórcio construtor (formado por Odebrecht, Andrade Gutierrez e parceiros) é entregar a obra em dezembro de 2011, um ano antes do prazo.