Mesmo com alguns trâmites agilizados, a burocracia ainda atravanca as aprovações de projetos
Burocracia, sempre ela
Empresários de médio porte questionam suposta agilização das aprovações de projetos imobiliários no âmbito do Minha Casa, Minha Vida. Embora a análise dos projetos tenha sido simplificada e o banco esteja liberando a comercialização do imóvel em 30 dias, a queixa é a de que o ciclo total de contratação do financiamento continua burocrático e moroso. "Há boa vontade, mas as pessoas que operacionalizam os processos são as mesmas e não houve investimento em infraestrutura para suportar o aumento de pedidos", disse um incorporador de edifícios econômicos. Para ele, o jeito de agilizar a aprovação continua o mesmo: "eu, como presidente da empresa, tenho que ir pessoalmente conversar com o gerente para pressionar a liberação", conta.
Visita suíça
Profissionais do escritório de arquitetura suíço Herzog & De Meuron estiveram em São Paulo na primeira semana de agosto, em visita sigilosa. O objetivo era encontrar um escritório brasileiro parceiro para o projeto do Teatro de Dança de São Paulo, que está sendo encabeçado pelos suíços depois de um polêmico processo de contratação sem concorrência, sob alegação de notória especialização. A licitação foi contestada principalmente por entidades de classe de arquitetos e engenheiros.
Aumento de preços por quê?
Perguntado sobre a possibilidade de haver aumento de preços dos insumos no segundo semestre de 2009, João Crestana, presidente do Secovi-SP (Sindicato da Habitação de São Paulo), soltou o verbo: "Essa possibilidade existe. É inaceitável que, mesmo havendo capacidade de crescimento na produção de cimento e de aço, grupos de poucos fornecedores façam subir os preços; o mundo não está comprando muito cimento nem muito aço", exclamou. Segundo ele, no ano passado, o custo dos materiais citados subiu de 30% a 40% em média, "o que é um absurdo num ano em que a inflação foi 4%, 5%", defende. "Qualquer aumento desmesurado nesses dois itens é descabido."
BATE-ESTACA
Cooperativa paga o mesmo
A indústria de cimento considera inócua a ação da Coopercon Nacional para compra coletiva do insumo. "A proposta da cooperativa é conjugar a compra de todas as construtoras pequenas para conseguir, por exemplo, a mesma margem de ganhos de uma grande construtora. Mas as grandes pagam, pelo saco de cimento, o mesmo do que qualquer outra empresa", disse um profissional do setor.
Lentidão espanta investidor
Executivo de uma incorporadora multinacional com forte atuação no Brasil reclama da morosidade e da intensa burocracia na aprovação dos projetos de empreendimentos imobiliários. "Os prazos se dilataram tanto que os investidores, principalmente do exterior, não conseguem mais vislumbrar quando terão retorno dos recursos aplicados." Para ele, o Brasil estaria perdendo uma grande oportunidade de receber grandes aportes. Isso porque, com a crise mundial, o País tem sido visto como um destino interessante para recursos normalmente aplicados no Primeiro Mundo. Na opinião do executivo, a única solução seria criar uma força-tarefa com a participação da iniciativa privada e dos poderes executivo, legislativo e judiciário para agilizar as aprovações. Ele lamenta, entretanto, que ainda haja muito "ranço ideológico" no tratamento de assuntos que deveriam ter cunho apenas técnico e operacional.